Israel estuda concessões em Jerusalém
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2000
France Press De Jerusalém e Washington 
Israel pode renunciar à soberania sobre a Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Leste, como parte de um acordo de paz com os palestinos, afirmou ontem a ministra israelense de Integração, Yuli Tamir. Aproximamo-nos do momento histórico de um compromisso sobre Jerusalém e teremos de aceitar concessões muito dolorosas, declarou Tamir à rádio estatal. Talvez seja necessário renunciar, de uma forma ou de outra, à nossa soberania sobre o Monte do Templo (nome que os judeus dão à Esplanada das Mesquitas), disse a ministra. O essencial para nós é obter o que é mais importante, ou seja, que os palestinos renunciem ao direitos dos refugiados palestinos de voltar algum dia ao território soberano de Israel, adiantou Yuli Tamir.
Ontem, israelenses e palestinos reiniciaram, nos Estados Unidos, as discussões com o governo norte-americano sobre a retomada do processo de paz no Oriente Médio, enquanto a delegação israelense parece querer dar uma prova de flexibilidade em suas posições. Estas negociações de alto nível, que podem durar até amanhã ou sexta-feira, são as primeiras que se realizam nos Estados Unidos desde o fracasso da Reunião de Cúpula de Camp David em julho passado e depois de dois meses e meio do início da sangrenta Intifada. Sem avanços esta semana, a situação vai ficar extremamente difícil, disse uma autoridade norte-americana, que pediu o anonimato.
Entre as divergências mais importantes estão: os palestinos querem um Estado com todos os atributos de soberania, enquanto Israel pede sua desmilitarização, o controle de seu espaço aéreo e de suas fronteiras exteriores. Além disso, o Estado hebreu se recusa a modificar as linhas de armistício estabelecidas antes de 1967, como exigem os palestinos para a aplicação de resoluções internacionais.
Os primeiros encontros com os Estados Unidos foram realizados em separado, pois os norte-americanos serão o elo entre as duas delegações. É provável que mais adiante aconteça uma reunião direta entre ambas as partes, segundo o Departamento de Estado.
Tanto a administração norte-americana atual, de Bill Clinton no cargo até 20 de janeiro , como a delegação israelense com a expectativa das eleições de 6 de fevereiro em seu país, que poderia ser considerada um referendo sobre a paz têm grande interesse que um acordo seja estabelecido o quanto antes.
Por outro lado, os palestinos não sabem o que lhes será proporcionado pela presidência do republicano George W Bush.
Cada uma das partes compreendeu que se deve aproveitar o fato de que o presidente Clinton, que conhece bem o assunto, ainda se encontra na Casa Branca para tentar chegar a um acordo, resumiu o ministro israelense de Justiça, Yossi Beilin.


