Israel e palestinos voltam a negociar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de janeiro de 2001
Associated Press De Washington 
Israel aceitou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, de retomar as negociações de paz com os palestinos e enviará representantes a Washington nos próximos dias, informou ontem uma fonte do governo israelense.
A decisão foi tomada pelo primeiro-ministro Ehud Barak depois de uma reunião de gabinete, disse Amit Zimmer, porta-voz do ministro dos Transportes israelense, Annon Lipkin-Shahak, que participou do encontro.
A decisão surge um dia após o premier ter declarado que seu governo suspenderia todos os contatos com os palestinos e se concentraria em tomar medidas contra a violência árabe. Apesar das severas advertências de Barak, um acordo de último minuto com os palestinos não é descartado, o que aumentaria as chances do premier de se reeleger nas eleições antecipadas de 6 de fevereiro.
Mais cedo, o líder palestino, Yasser Arafat, já havia informado que aceitava, condicionalmente, a proposta de paz feita anteriormente por Clinton. O líder da Autoridade Palestina aceitou com certas reservas o plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, como base para a retomada imediata das negociações com os israelenses, informou ontem a Casa Branca, sem especificar quais foram as objeções apresentadas.
Ambas as partes aceitaram os parâmetros para as conversações, embora com certas reservas. Vamos continuar trabalhando para o reinício das negociações, afirmou o porta-voz da Casa Branca Jake Siewert.
Arafat dirigiu-se ontem ao Cairo para tomar parte numa reunião, que se realiza hoje, de chanceleres dos países da Liga Árabe, aos quais apresentará um relatório sobre o plano de Clinton. Segundo o ministro de Cooperação Internacional da AP, Nabil Shaath, Arafat só dará uma resposta final a Clinton após essa reunião.
Comunicamos nossa concordância às propostas, com nossas próprias explicações e interpretações, explicou o representante da Organização de Libertação da Palestina (OLP) nos Estados Unidos, Hassan Abdel Rahman. Os dirigentes palestinos enfatizaram que a bola agora está no campo israelense.
Arafat consultará hoje líderes de países árabes sobre concessões que a AP teria de fazer, como o abandono da exigência do direito de retorno dos palestinos e suas famílias que fugiram ou foram expulsos de Israel depois da criação do país, em 1948.
O plano de Clinton deve encontrar forte resistência na reunião da Liga Árabe. Ontem, na partida para o Cairo, o chanceler libanês Mahmoud Hammod afirmou que o direito de retorno dos refugiados é sagrado.


