São Paulo - Depois de uma semana de ataques que deixou mais de 60 mortos, Israel e os palestinos deveriam retomar ontem as conversas sobre segurança.
O chefe de segurança palestino, Mohammed Dahlan, deveria se encontrar com o general Amos Gilad, oficial de Defesa israelense. Essa seria a primeira reunião de cúpula desde que o presidente norte-americano, George W. Bush, lançou o novo plano para acabar com os conflitos no Oriente Médio, chamado ''mapa da paz''.
Está no centro das discussões a proposta de que Israel se retire das áreas da faixa de Gaza que ocupou a partir de setembro de 2000. Para melhorar o clima das negociações, Israel ofereceu interromper por três dias as suas operações militares.
O plano de paz prevê que Israel se retire gradualmente do território que voltou a ocupar nos últimos 32 meses. Em contrapartida, os palestinos têm que desmantelar grupos terroristas como o Hamas.
Raanan Gissin, assessor do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, afirmou que seu país propôs abrir mão do controle da segurança de algumas partes da faixa de Gaza, deixando a responsabilidade totalmente nas mãos da Autoridade Palestina. ''Isso será discutido hoje (ontem), no encontro de segurança'', disse Gissin.
Os chefes das forças de segurança palestinas, após reunião na noite de sexta-feira, aceitaram assumir o controle das áreas de onde Israel sair. ''Decidimos que, se Israel está pronto para deixar territórios palestinos, vamos assumir a responsabilidade pela segurança desses lugares'', explicou o ministro da Informação palestino, Nabil Amr. ''Mas a Autoridade Palestina não pode assumir sua responsabilidade sem uma garantia dos EUA de que Israel vai parar com seus ataques militares'', acrescentou o chefe de gabinete, Yasser Abed Rabbo.
Mas Abdel Aziz Rantisi, um líder linha-dura do Hamas, já disse que o grupo não vai suspender seus ataques a Israel. ''A palavra cessar-fogo não consta em nosso dicionário'' afirmou ele. ''A resistência vai continuar até que expulsemos os israelenses da nossa terra''. O Hamas interrompeu as negociações com o primeiro-ministro palestino, Abu Mazen, na semana passada.
Nos últimos dias, Israel realizou sete ataques contra alvos israelenses, incluindo uma malsucedida tentativa de matar Rantisi. Em resposta, o Hamas explodiu um ônibus em Jerusalém.
Israel também disse estar ampliando sua campanha contra o Hamas, especialmente em relação a seus principais líderes, como o o fundador do grupo, Ahmed Yassin, e membros do seu braço militar.
Bastidores - Apesar das dificuldades as conversas de bastidores continuam. Os Estados Unidos e o Egito avançaram nos esforços de mediação das negociações de paz. O ministro das Finanças palestino, Salam Fayad, já conversou por telefone com Dov Weisglass, assessor de Sharon.
O encontro de ontem sobre segurança coincidiria com a chegada dos primeiros monitores norte-americanos que vão supervisionar a implantação do plano de paz. A equipe de cerca de 15 oficiais da CIA (a agência de inteligência dos EUA) e do Departamento de Estado é liderada por John Wolf, secretário-assistente de Estado.
Nas próximas horas também deve chegar a Gaza uma delegação de altos oficiais egípcios para ''atender as demandas da atual situação''.
Sharon já havia proposto anteriormente uma retirada parcial, mas o primeiro-ministro palestino havia rejeitado a idéia dizendo que primeiro precisa conseguir um acordo de cessar-fogo com o Hamas e outros grupos armados.
Os países que desempenham a função de mediadores das negociações também devem se encontrar para resgatar o plano de paz. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, e outros representantes dos EUA, da ONU, da Rússia e da União Européia devem ter uma reunião na Jordânia esta semana.
Amr, ministro palestino da Informação, também informou que haverá outro encontro do ''Mapa da Paz''na Arábia Saudita daqui a a 10 dias, com representantes dos EUA, do Egito, da Jordânia e da Autoridade Palestina.

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