Israel e palestinos pretendem manter trégua
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quinta-feira, 17 de março de 2005
France Presse 
Jerusalém - Israel e os palestinos proclamaram ontem seu desejo de manter a trégua atual, mas sem se comprometer com um acordo formal de cessar-fogo. O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, qualificou de ''primeiro passo positivo'' o acordo concluído ontem no Cairo entre a Autoridade Palestina (ANP) e os movimentos radicais.
A ANP e os 13 grupos armados assumiram o compromisso de respeitar uma trégua até o final deste ano, sob a condição de que Israel interrompa suas ''agressões'', segundo o comunicado final, publicado ao término de dois dias de reunião. Sharon declarou ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, que o acordo constituía um ''primeiro passo positivo'', segundo um comunicado da presidência do Conselho.
O premier israelense insistiu, no entanto, em que não será possível progredir no processo de paz ''sem uma dissolução completa dos grupos terroristas''. Assim, Sharon avisou implicitamente que uma simples suspensão dos ataques antiisraelenses não será suficiente.
O primeiro-ministro do Estado hebreu destacou que se tratava de um acordo ''provisório'' e reafirmou a necessidade de desarmar os ativistas palestinos. Um alto representante israelense garantiu por sua vez que ''Israel não lançará operações ofensivas'' contra movimentos armados palestinos se estes respeitarem a trégua.
Este período de calma entre israelenses e palestinos é o mais longo já registrado desde o início da Intifada, em setembro de 2000, e se traduziu concretamente por uma espetacular diminuição do número de vítimas dos dois lados, desde o dia 21 de janeiro passado.
A calma coincide com a decisão tomada pelo governo e pelo Parlamento israelense de se retirarem totalmente da Faixa de Gaza no próximo mês de julho. As 21 colônias deste território, assim como outras quatro do norte da Cisjordânia, deverão ser esvaziadas.
Porém, este projeto enfrenta uma forte oposição até dentro do Likud, o partido de Sharon, e ainda corre o risco de ser questionado. Para o premier, o prazo é daqui a duas semanas, quando acontece a votação do orçamento.
De fato, a legislação israelense prevê que se a lei de Finanças não for votada no dia 31 de março, o governo será dissolvido e eleições legislativas são realizadas dentro dos três próximos meses. Sharon ainda não conseguiu garantir uma maioria, depois da ''rebelião'' de 13 dos 40 deputados do Likud. No entanto, segundo os analistas, ele deveria obtê-la in extremis.
Os parlamentares rebeldes, opostos à retirada da Faixa de Gaza, exigem a convocação de um referendo sobre este projeto como condição a seu apoio à lei de Finanças, o que Sharon rejeitou categoricamente. Eleições antecipadas poderiam provocar um adiamento sine die do processo de retirada.
No âmbito diplomático, o novo embaixador egípcio em Israel, Mohamed Assem Ibrahim, chegou ontem ao Estado hebreu para assumir suas funções, mais de quatro anos depois da retirada de seu predecessor. O Egito e a Jordânia, os dois únicos países árabes do Oriente Médio a manter relações diplomáticas com Israel, haviam retirado seus embaixadores em novembro de 2000 para protestar contra a repressão da Intifada.


