JERUSALÉM - Israel e a OLP retomaram ontem, depois da intervenção dos Estados Unidos, negociações sobre a retirada de tropas israelenses da cidade de Hebron, na Cisjordânia, assinalando o relaxamento das tensões provocadas por assentamentos e atentados.
Yitzhak Molcho, assessor do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, se reuniu com o negociador palestino Saeb Erekat em Jerusalém pondo fim a uma pausa de 10 dias nas negociações sobre Hebron, a fim de tentar finalizar um possível acordo. Israel e a OLP não conseguiram em cerca de três meses de negociações concordar com arranjos de segurança que Netanyahu quer para proteger cerca de 400 judeus que vivem e estudam no coração de Hebron, em meio a mais de 100 mil palestinos.
Um oficial da OLP, que pediu para não ser identificado, disse que a reunião arranjada pelos Estados Unidos entre o presidente palestino, Yasser Arafat, e autoridades israelenses, no domingo, ‘‘limpou o ar, pelo menos por enquanto.’’ O encontro aliviou a tensão que vinha aumentando com a decisão de Israel de conceder incentivos financeiros a colonos judeus na ocupada Cisjordânia, com a morte de dois colonos por pistoleiros árabes e com o assassinato a tiros de um trabalhador árabe por um fazendeiro judeu.
A Casa Branca, a principal patrocinadora das conversações, declarou ontem que considera a última política de Israel para os assentamentos um fator complicante nos esforços para se alcançar a paz na região. O primeiro-ministro Netanyahu enviou o assessor Molcho e o secretário de gabinete Danny Naveh para o encontro com Arafat na autônoma Gaza, domingo, e então falou com o líder palestino por telefone. ‘‘O importante em relação ao encontro é a continuidade do processo de paz, e estamos insistindo em manter esta linha’’, disse Arafat, ontem.
O oficial da OLP afirmou que Netanyahu e Arafat acertaram que Molcho e Erekat iriam se reunir e conjuntamente passariam as informações para os dois líderes depois de cada rodada de conversações. O oficial palestino disse que o encontro de domingo em Gaza foi arranjado pelo embaixador dos EUA em Israel, Martin Indyk, e o consul-geral americano Edward Abington.
‘‘Penso que o principal foi que aliviamos a tensão que existia entre os dois lados, especialmente depois do ataque terrorista da quarta-feira’’, comentou David Bar-Illan, chefe de comunicação de Netanyahu, referindo-se à morte de uma colona e seu filho de 12 anos por militantes árabes.

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