Israel e Arafat falam de paz em meio a confrontos
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Reuter 
France PresseRepressão resultou em um morto e 28 feridosO primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Yasser Arafat, prometeram ontem trabalhar pela paz enquanto espalhavam-se pela Cisjordânia protestos árabes contra o assassinato de três trabalhadores palestinos.
Testemunhas disseram que pelo menos 28 palestinos ficaram feridos nos confrontos entre árabes e tropas israelenses durante o segundo dia de protestos contra os assassinatos a tiros em uma barreira militar israelense
nas proximidades de Hebron na noite de terça-feira.
Médicos do hospital al-Ahli, em Hebron, declararam ontem a morte cerebral do garoto palestino de 13 anos que foi atendido anteontem com uma bala na cabeça atirada por soldados israelenses. O incidente ocorreu durante um confronto no qual soldados de Israel dispararam balas de metal cobertas com borracha e gás lacrimogêneo contra uma multidão de palestinos. A criança, Sami Karameh, que foi ferida pelas forças israelenses em Hebron, já chegou aqui (ao hospital) em estado crítico, afirmou o médico Mazen Arafei.
Perto da vila de Dura, na Cisjordânia, um colono judeu deu um tiro no estômago de um palestinos de 17 anos depois que seu carro foi apedrejado por jovens manifestantes bloqueando uma estrada que leva a um assentamento judeu próximo, informaram testemunhas palestinas e fontes hospitalares.
O exército anunciou que dois israelenses, um soldado nas proximidades de Ramallah e um civil em Hebron, foram levemente feridos por pedradas nos distúrbios.
O primeiro-ministro Netanyahu, numa entrevista ao serviço de televisão em árabe de Israel, classificou os assassinatos de um trágico erro e ofereceu condolências às famílias das vítimas. Quero dizer a eles que sei o preço que vocês pagaram e a dor que sentem e quero que vocês saibam que faremos o que for possível para avançar a paz, afirmou Netanyahu.
Eu peço novamente por contenção e por calma. Parece-me que nós criamos boas conexões com a Autoridade Palestina e nossos comandantes estão em contato com os comandantes deles, disse Netanyahu. Ele voltou a pedir por conversações diretas com os palestinos para se trabalhar por um acordo de paz definitivo.
Em Gaza, Arafat afirmou a repórteres que esperava que as tensões não iriam afetar as iniciativas de paz. Espero que não, porque estamos comprometidos com o processo de paz apesar de tudo que estamos enfrentando e iremos continuar a acompanhar o processo de paz, disse Arafat.
O ministro da Defesa israelense Yitzhak Mordechai telefonou para Arafat a fim de informá-lo sobre uma investigação de Israel dos assassinatos e das instruções do exército a seus comandantes para demonstrarem contenção nas regiões mais explosivas da Cisjordânia.


