France Presse
De Betânia

Israel transferiu ontem aos palestinos o controle total de 6,1% da Cisjordânia, um dia depois da oficialização dos mapas com a nova distribuição de terras para os dois lados, apesar dos incidentes violentos ocorridos durante a noite, que deixaram quatro mortos e um ferido.
Segundo o general Haj Ismail, comandante da polícia palestina na Cisjordânia, a retirada permite agora à Autoridade Palestina controlar total ou parcialmente 40% da Cisjordânia. A medida já deveria ter sido posta em prática em janeiro, devido aos acordos de Charm el-Cheikh, assinados em setembro de 1999.
Aclamados pelos vizinhos de Betânia, cerca de 30 policiais palestinos de uniforme entraram na localidade, perto de Ramallah, ao Norte de Jerusalém. Os agentes retiraram um piquete militar na saída de Ramallah e dispararam para o ar, comemorando a saída dos israelenses.
Na noite anterior, uma palestina, Jalimimi el Shruf, de 45 anos, morreu e seu marido, Mahmud Ibrahim, de 48, ficou ferido pelos disparos de militares israelenses, numa barreira militar ao sul da Cisjordânia.
Os soldados se encontravam em estado de alerta, depois que três israelenses ficaram feridos num ataque com armas automáticas, horas antes, na mesma região. Os três israelenses, que circulavam num automóvel, foram metralhados pelos ocupantes de um outro carro, que os ultrapassava.
Segundo o exército israelense, os soldados, que por causa do ataque haviam recebido a ordem de interceptar todos os veículos suspeitos, dispararam contra o carro, ao considerar que seus passageiros tentavam forçar passagem sem parar no posto de controle.
Depois do ataque guerrilheiro, atribuído por Israel ao Movimento da Resistência Islâmica (Hamas), os representantes dos colonos judeus na Cisjordânia pediram publicamente que se suspendesse a retirada, mas o governo israelense não concordou, decidindo manter a retirada, combinada na véspera entre o general Haj Ismail, comandante da polícia palestina na Cisjordânia, e o general israelense Moshe Yaalon, chefe da região militar central de Israel.
A retirada, que diz respeito principalmente ao Sul da Cisjordânia prevê em especial a transferência à Autoridade Palestina do controle total de duas localidades próximas a Jerusalém, Betânia (Norte) perto de Ramallah, e Ubeidiya (Sul) perto de Belém, onde até agora exercia apenas o poder civil.
Divergências sobre esta retirada provocaram a suspensão das negociações de paz, em 7 de fevereiro, retomadas na última terça-feira, em Washington, com o objetivo de alcançar um acordo para o final do conflito territorial na região, que já dura 50 anos.

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