Não houve incidentes durante a manifestação de dezenas de milhares de colonos e simpatizantes da direita israelense, organizada ontem em Tel-Aviv para denunciar concessões que poderiam ser feitas pelo primeiro-ministro israelense Ehud Barak, em Camp David.
Os manifestantes, em maioria colonos vindos da Cisjordânia e da faixa de Gaza que se reuniram na praça Yitzhak Rabin, dispersaram-se em calma, constatou a reportagem da AFP.
Segundo a rede pública de televisão, a manifestação organizada pelos partidos da oposição de direita e as organizações de colonos reuniu 150 mil pessoas.
Enquanto isso, a reunião trilateral entre israelenses, palestinos e americanos, sobre temas civis vinculados a um acordo definitivo para pôr fim a meio século de conflitos transcorreu sem novidades, apesar dos rumores de possíveis concessões israelenses.
Três grupos de trabalho israelense-palestinos reuniram-se para analisar questões civis, as relações econômicas e a distribuição dos recursos hídricos.
As discussões centram-se também nas relações Estado a Estado, depois da proclamação anunciada para 13 de setembro de um Estado Palestino, os impostos, correio, eletricidade, trânsito de um Estado a outro.
Segundo um porta-voz do governo israelense, o primeiro-ministro Ehud Barak disse ontem aos seus ministros mais importantes que não foram registrados avanços e existiam ‘‘profundas divergências’’ com os palestinos na Reunião de Cúpula de Camp David. ‘‘O premier telefonou para David Levy (chanceler), Haim Ramon e Benjamín Ben Eliezer (ministro das Comunicações)’’, declarou o responsável à AFP.
‘‘As posições dos palestinos são inflexíveis e se mantêm profundas divergências sobre os temas fundamentais’’, explicou outro responsável israelense, acrescentando que os palestinos têm que ser mais flexíveis se quiserem chegar a um acordo.
Ontem, após o telefonema de Barak, o chanceler David Levy se declarou ‘‘preocupado’’ , ‘‘porque as negociações estão em crise. A situação é grave. Tenho a impressão de que os rumores sobre um avanço nas negociações graças a concessões (israelenses) não têm fundamento’’, disse. O chefe da diplomacia israelense assume as funções de primeiro-ministro na ausência de Barak, que lidera a equipe de negociadores israelenses em Camp David.
A Casa Branca considerou ‘‘discutíveis’’ as declarações de Levy.

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