Israel desbloqueia mais fundos à OLP
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domingo, 28 de setembro de 1997
France Presse Jerusalém 
Israel decidiu ontem pagar imediatamente US$ 17 milhões à Autoridade Palestina, exatamente a metade da quantia que deve, segundo anunciou o ministro das Finanças, Jacob Neeman. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou o desbloqueio dos fundos durante a reunião do conselho de ministros, porque a Autoridade Palestina começou a reagir contra os terroristas nos territórios sob seu controle (autônomos), informou o porta-voz do ministro das Finanças, Eli Yossef.
Estes fundos, cobrados por Israel sob a forma de impostos e taxas sobre os combustíveis e mercadorias exportadas para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza chegaram a US$ 300 milhões ao ano, acrescentou Yossef. Estes valores, que constituem grande parte do orçamento da Autoridade Palestina (60% segundo o Banco Mundial), têm que ser pagos, em princípio, de forma automática, segundo o previsto pelos acordos de autonomia.
A suspensão da transferência de fundos, imposta pela primeira vez após a assinatura dos acordos de autonomia em 1993, fez parte de um conjunto de sanções - como o bloqueio total dos territórios palestinos - impostas pelo governo israelense, que acusava a Autoridade Palestina de laxismo na luta contra os integristas palestinos.
Esta decisão quase forçou a Autoridade Palestina a suspender os salários de funcionários e policiais, que finalmente puderam ser pagos graças a empréstimos bancários e ajudas internacionais. Depois de receber críticas dos Estados Unidos, Netanyahu desbloqueou duas vezes uma parte dos fundos: em 18 de agosto (US$ 12 milhões) e em 14 de setembro (US$ 38 milhões).
AutonomiaNetanyahu também aceitou ontem retomar as conversações com os palestinos sobre a aplicação dos acordos provisórios de autonomia, segundo a rádio pública. Esta informação foi confirmada ontem mesmo pelo governo israelense, segundo um comunicado da presidência do conselho.
O primeiro-ministro informou no conselho de ministros que a Autoridade Palestina havia começado a tomar medidas sérias contra o terrorismo. Como consequência, o primeiro-ministro deu conta de sua decisão de transferir a metade dos fundos devidos à Autoridade Palestina, informou o texto.
O primeiro-ministro acrescentou que a base das conversações que se desenvolvem nos Estados Unidos e à luz das medidas que foram tomadas em matéria de segurança pela Autoridade Palestina, se decidirá a retomada das negociações sobre os acordos provisórios de autonomia durante o encontro tripartite de segunda-feira (hoje) em Nova York, continuou o comunicado.
Esta reunião, da qual participarão o chanceler israelense, David Levy, a secretária de Estado norte-americano, Madeleine Albright, e o número dois da OLP, Mahmud Abbas, é o primeiro contato israelense-palestino em alto nível há menos de um mês.
Israel havia bloqueado os fundos e suspenso a aplicação dos acordos de autonomia após os dois atentados suicidas a bomba no qual morreram 20 israelenses - além de cinco camicases palestinos - em 30 de julho e no último dia 4 em Jerusalém.
DesmaioO presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, desmaiou durante uma vista ao Cairo, segundo informa a revista Time em sua edição que circula hoje. Segundo a revista, que cita um responsável palestino anônimo, Arafat desmaiou numa reunião com o ministro das relações exteriores do Qatar, na semana passada em Cairo.
Arafat tentava convencer a Hamad Bin Jassim, que anulara a participação do Qatar numa conferência econômica sobre o Oriente Médio, prevista para meados de novembro em Doha, para protestar pela paralisação do processo de paz israelense-palestino. Nesse momento teria acontecido o desmaio. Um médico presente conseguiu reanimá-lo.
Um alto responsável palestino explicou, em relação ao desmaio, que Arafat não havia dormido nas duas últimas noites anteriores, segundo afirma a revista.


