São Paulo - O ministro israelense dos Transportes, Meir Sheetrit, acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de ''apunhalar Israel pelas costas'' ao anunciar sua intenção de convidar o Hamas para uma visita a Moscou.
Em declarações à rádio pública de Israel, Sheetrit que além de ministro é um dos dirigentes do partido Kadima disse que o convite do presidente russo feito ontem em Madri ''é um escândalo internacional e um grave erro''.
''A Rússia não deve assumir nenhuma posição em relação às negociações com os palestinos'', disse ainda o ministro, que se questionou: ''O que diria Putin se Israel convidasse dirigentes da Chechênia?''.
O grupo extremista Hamas que prega a destruição do Estado de Israel venceu as eleições parlamentares palestinas de 25 de janeiro. Putin afirmou que ''se deve reconhecer o Hamas por sua vitória nas eleições'', mas que não permite que os chechenos participem de eleições da Rússia.
O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, afirmou que membros do grupo visitariam a Rússia caso haja um convite oficial.
O líder do Partido direitista Israel Beiteinu, Avigdor Liberman, de origem russa, disse que Putin ''quebrou o consenso internacional'', em referência ao Quarteto de Madri formado pela Rússia, União Européia (UE), EUA e a ONU- ao dar as declarações sobre o Hamas.
O anúncio de Putin contradiz um comunicado divulgado há dias semanas pelo Quarteto, que diz que um acordo de paz entre Israel e a ANP (Autoridade Nacional Palestina) exige que todos os participantes do processo democrático ''renunciem à violência e ao terror e aceitam o direito de existência de Israel.''
Putin disse ainda que a Rússia ''nunca inclui o Hamas em sua lista de organizações terroristas'', como fizeram os EUA e a UE.

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