Buldôzeres do Exército de Israel destruíram ontem dezenas de casas e lojas em um campo de refugiados palestinos, provocando um tiroteio de duas horas com pistoleiros palestinos e obrigando os civis a saírem em busca de abrigo, alguns dos quais ainda de pijamas. Cinco palestinos e três israelenses ficaram feridos em um dos piores confrontos desde a declaração de uma trégua, há cerca de um mês.
Enquanto isso, o líder palestino Yasser Arafat ironizava os persistentes rumores de que o governo israelense analisa a possibilidade de derrubá-lo com uma ofensiva militar de grandes proporções. ‘‘Oh, montanha, você não pode ser sacudida pelo vento’’, brincou um sorridente Arafat com jornalistas em Ramallah, citando um provérbio árabe.
Jornais israelenses publicaram que, durante uma reunião de gabinete realizada segunda-feira, ministros de extrema direita disseram ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que ele deveria ser mais duro com os palestinos.
Por sua vez, os palestinos comentaram que a invasão de Rafah foi a maior incursão israelense em território autônomo palestino desde o início do atual cessar-fogo.
Israel nega a acusação e alega que tem controle de segurança sobre a área do campo de refugiados de Rafah onde as casas foram derrubadas porque estavam próximas da fronteira entre o Estado judeu e o Egito e porque estavam muito perto de instalações militares.
Um porta-voz do Exército israelense, tenente-coronel Olivier Rafowicz, disse que entre 10 e 15 casas foram demolidas e não eram habitadas. Três agências do governo palestino forneceram outros números, informando ter havido entre 19 e 24 casas destruídas. O número de lojas derrubadas variava entre 11 e 12. Mais de 150 civis foram expulsos de suas casas, de acordo com as agências.

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