São Paulo - O general Udi Adam, da divisão norte do Exército de Israel, disse ontem que seu país está em guerra e que não é hora de contar os mortos, embora as vidas humanas sejam importantes. Milhares de reservistas serão convocados para reforçar as ações, segundo o site do jornal israelense ''Haaretz''.
''Nós precisamos mudar nosso pensamento. Vidas humanas são importantes, mas nós estamos em guerra, e isso custa vidas. Não vamos contar os mortos neste momento, apenas no final. Nós vamos chorar pelos mortos e encorajar os combatentes'', afirmou.
O anúncio de Israel, que pretende convocar milhares de reservistas para fortalecer seu corpo militar, comprova a afirmação do general Adam, que caracteriza o conflito contra o Hezbollah como uma guerra. Adam se recusou a informar quantos homens estão atuando nas ofensivas contra o sul do Líbano, disse apenas que não era uma missão de ''peso''.
O estopim da atual crise entre Israel e Líbano foi o sequestro de dois soldados israelenses, além da morte de outros oito militares, no último dia 12.
Desde então, o governo Israel tem realizado ininterruptos ataques por ar, terra e mar, principalmente contra o sul do Líbano, onde o Hezbollah se concentra.
A idéia de Israel é destruir a infra-estrutura da região para enfraquecer as ações do grupo e conseguir resgatar os dois soldados sequestrados. Em resposta, o Hezbollah lança diariamente dezenas de foguetes Katyusha contra o território israelense. O saldo da agressão é de cerca de 380 mortos (35 israelenses) e mais de mil feridos.
A força militar israelense também disse ontem que em dez dias de combates cem membros do Hezbollah foram mortos. ''O Hezbollah não está revelando a real extensão de suas perdas'', disse Dan Halutz, um dos oficiais de mais alta posição no Exército israelense.
Os milhares de reservistas que Israel iria convocar ontem vão atuar em duas frentes: contra o sul do Líbano e a faixa de Gaza, de acordo com informações do Exército israelense. Para Gaza, serão enviados soldados presos em razão de delitos menos graves para reforçar as tropas. A informação já havia sido antecipada por outro site do jornal ''Yediot Aharonot'', na última quarta-feira.
Ontem, Israel fez dezenas de ataques ao sul do Líbano, e lançou alertas, por meio de panfletos jogados de aviões, para que a população desta região abandone suas casas e fuja para outras áreas sinalizando que vem ataque pesado pela frente.
O Hezbollah também agiu. Cerca de 30 foguetes Katyuscha foram lançados contra cidades no norte de Israel. Em Haifa, terceira maior cidade do país, 16 israelenses se feriram, quatro deles com gravidade.
Em uma ação sem precedentes, o Hezbollah tem lançado mais de cem foguetes Katyusha por dia contra Israel. De acordo com especialistas, o grupo deve ter gasto muito tempo se preparando para um combate com Israel, desde a saída do país de território libanês, em 2000, após 22 anos de ocupação israelense.

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