Israel continua em alerta total
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Claire Snegaroff France Presse Jerusalém 
France PresseSoldados pedem documentos a palestinos, em um veículo, em JerusalémAs forças de segurança israelenses prosseguiam mobilizadas ontem, pelo quinto dia consecutivo, para tentar evitar um novo atentado como o que deixou 15 mortos e mais de 150 feridos num mercado de Jerusalém, quarta-feira passada.
Estamos mobilizados em todas as cidades. Os israelenses também se mostram mais cuidadosos e a polícia recebe centenas de telefonemas diários, disse à rádio pública o ministro de Segurança Interior israelense, Avigdor Kahalani.
Depois do atentado de quarta-feira passada, segundo a polícia de Jerusalém, centenas de israelenses estão preocupados com objetos que poderiam conter uma bomba.
Duzentos e quarenta objetos suspeitos, em geral pacotes esquecidos por pedestres, assim como sacos comuns de lixo, foram destruídos por unidades especiais, que nunca estiveram tão ocupadas.
Essas operações vêm causando gigantescos engarrafamentos de trânsito no centro das grandes cidades. Ontem, a rua Yaffa, um importante eixo de Jerusalém ocidental, esteve bloqueada durante quase 30 minutos na hora do rush, pela manhã, enquanto policiais do grupo especial examinavam os pneus de uma bicicleta presa a um gradil.
Verificamos cada telefonema, não podemos correr riscos, disse ao jornal Maariv um dirigente da unidade.
Equipes extras formadas por centenas de policiais e guardas de fronteira foram mobilizados nas cidades e nos principais cruzamentos, nas paradas de ônibus, nas entradas dos centros comerciais e estações de ônibus para o interior.
Os israelenses evitam os mercados ao ar livre. As pessoas se limitam a comprar e se afastam rapidamente, declarou um comerciante do mercado Carmel de Tel Aviv.
Paradoxalmente, a frequência nos centros comerciais e nos transportes públicos não diminuiu.
Os israelenses estão acostumados aos atentados e não querem ficar presos em seus lares, disse ao jornal Yediot Aharonot o diretor do grande centro comercial de Ramat Gan, num subúrbio de Tel Aviv.
Segundo os gerentes da cooperativa nacional de ônibus, Egged, a afluência não é um caso excepcional. As pessoas não relacionam o atentado no mercado de Jerusalém ao risco que pode haver num ônibus, afirmam.
Ano passado, os atentados em ônibus deixaram 57 mortos em Israel.
As autoridades israelenses, no entanto, não conseguiram identificar os dois homens-bomba que cometeram o atentado duplo de quarta-feira passada.
De acordo com a rádio estatal, o explosivo utilizado é de um tipo muito moderno. Não se trata de TNT, como nos atentados praticados nos últimos anos pelos fundamentalistas palestinos.


