Israel considera paz impossível agora
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001
France Presse De Berlim e Jerusalém 
O assessor para assuntos de Relações Exteriores do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, Zalman Shoval, considerou ontem ser provavelmente impossível no momento um acordo definitivo e idílico de paz entre palestinos e israelenses. Durante uma entrevista à imprensa, ao desembarcar em Berlim, Shoval preconizou uma política de pequenos passos para a paz. Pode-se avançar pouco a pouco (...) de forma gradual. Terminaremos por encontrar uma solução definitiva, mas não obrigatoriamente rápida, prosseguiu. Também afirmou que a equipe do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, compartilha sua opinião.
Para poder iniciar esta política de pequenos passos, Shoval estabeleceu apenas uma condição. A violência deve parar, disse, dirigindo-se ao presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. A responsabilidade está em suas mãos, porque achamos que controla muito mais a situação do que demonstra.
Depois de visitar os Estados Unidos no começo da semana, Shoval viajou à Alemanha para reunir-se com o colega Michael Steiner e hoje de manhã com o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer.
A Alemanha é junto com os Estados Unidos um importante objetivo de minha viagem, destacou.
Em relação a uma pergunta sobre se a Alemanha deve desempenhar um papel de mediação, Shoval disse que não acredita que ninguém deva fazer isso. Na opinião dele, talvez tenha sido um erro o fato de os americanos atuarem como intermediários.
Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense eleito Ariel Sharon disse desejar que o novo governo norte-americano do presidente George W. Bush deixe de dar prioridade ao processo de paz israelense-palestino e tenha um enfoque mais global da região, informou seu porta-voz.
O primeiro-ministro eleito não tem intenção de abandonar o processo de paz, mas considera que já não é possível que Israel e Estados Unidos sejam obsessivos unicamente com o conflito entre israelenses e palestinos deixando de lado um enfoque regional dos problemas, disse à AFP Ranaan Gissin, na véspera da chegada à região do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell.
Questões como a compra de armas não convencionais por países como o Iraque são ao menos igualmente importantes para a estabilidade da região, como sabe o presidente (George W.) Bush, acrescentou Gissin, um dia depois que aviões de guerra norte-americanos voltaram a bombardear alvos da defesa antiaérea iraquiana.
Também acusou o governo do atual primeiro-ministro Ehud Barak, derrotado por Sharon na última eleição, e a administração do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, de chegarem a um ponto morto.


