O assessor para assuntos de Relações Exteriores do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, Zalman Shoval, considerou ontem ser ‘‘provavelmente’’ impossível no momento um acordo ‘‘definitivo e idílico’’ de paz entre palestinos e israelenses. Durante uma entrevista à imprensa, ao desembarcar em Berlim, Shoval preconizou uma política de pequenos passos para a paz. ‘‘Pode-se avançar pouco a pouco (...) de forma gradual. Terminaremos por encontrar uma solução definitiva, mas não obrigatoriamente rápida’’, prosseguiu. Também afirmou que a equipe do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, compartilha sua opinião.
Para poder iniciar esta política de pequenos passos, Shoval estabeleceu apenas uma condição. ‘‘A violência deve parar’’, disse, dirigindo-se ao presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. ‘‘A responsabilidade está em suas mãos, porque achamos que controla muito mais a situação do que demonstra.’’
Depois de visitar os Estados Unidos no começo da semana, Shoval viajou à Alemanha para reunir-se com o colega Michael Steiner e hoje de manhã com o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer.
A ‘‘Alemanha é junto com os Estados Unidos um importante objetivo de minha viagem’’, destacou.
Em relação a uma pergunta sobre se a Alemanha deve desempenhar um papel de mediação, Shoval disse que ‘‘não acredita que ninguém deva fazer isso’’. Na opinião dele, talvez tenha sido um erro o fato de os americanos atuarem como intermediários.
Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense eleito Ariel Sharon disse desejar que o novo governo norte-americano do presidente George W. Bush deixe de dar prioridade ao processo de paz israelense-palestino e tenha um enfoque mais global da região, informou seu porta-voz.
‘‘O primeiro-ministro eleito não tem intenção de abandonar o processo de paz, mas considera que já não é possível que Israel e Estados Unidos sejam obsessivos unicamente com o conflito entre israelenses e palestinos deixando de lado um enfoque regional dos problemas’’, disse à AFP Ranaan Gissin, na véspera da chegada à região do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell.
‘‘Questões como a compra de armas não convencionais por países como o Iraque são ao menos igualmente importantes para a estabilidade da região, como sabe o presidente (George W.) Bush’’, acrescentou Gissin, um dia depois que aviões de guerra norte-americanos voltaram a bombardear alvos da defesa antiaérea iraquiana.
Também acusou o governo do atual primeiro-ministro Ehud Barak, derrotado por Sharon na última eleição, e a administração do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, de ‘‘chegarem a um ponto morto’’.

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