Israel começa retirada da Cisjordânia
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de novembro de 1998
DPA e Reuters 
Israel retirou ontem suas tropas de 9,1 por cento da Cisjordânia ocupada, que passou às mãos dos palestinos, na primeira etapa da retirada militar israelense estabelecida no acordo de Wye Plantation. O general de brigada israelense Moshe Yaalon e o general palestino Hadj Ismail Jaber firmaram ontem na cidade de Djenin um documento transferindo áreas do norte da Cisjordânia à Autoridade Nacional Palestina. Algumas dessas áreas - cerca de 7,1 por cento - passaram ao controle exclusivo dos palestinos enquanto nos restantes dois por cento o controle será compartilhado com as forças israelenses. A polícia palestina já assumiu o controle das áreas abandonadas pelos israelenses. No total, os palestinos receberão de volta dez cidades e dezoito aldeias na região de Djenin, no norte da Cisjordânia.
Ao mesmo tempo, começaram a ser libertados 250 prisioneiros palestinos que estavam em cárceres israelenses em três pontos diferentes, dois na Cisjordânia e um na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza. Cento e cinquenta dos presos libertados são palestinos condenados por delitos comuns, e o restante cumpriam pena por ações políticas ou armadas contra Israel.
Pouca alegria Havia pouca alegria e muita ira ontem em Gaza logo após a libertação por parte de Israel de 250 presos palestinos.
Normalmente a saída de palestinos de prisões israelenses é um motivo de celebração nas cidades natais dos libertados e um sinal de que o processo de paz está dando frutos. Entretanto, apenas um punhado dos presos soltos ontem teve uma recepção calorosa. Israel afirmou que 100 dos libertados em cumprimento ao novo acordo interino de paz eram prisioneiros políticos. O restante (150) cumpria penas por crimes comuns e por entrar em território isralense sem permissão, o que causou a ira das autoridades palestinas, que esperavam a entrega de presos políticos.
Melhor trancar seus automóveis, porque todos são ladrões de carro, disse em tom de brincadeira um soldado israelense no posto de vigilância fronteiriço Nahal Oz, em Gaza. Um grupo de 65 presos chegou ao ponto de acesso à Gaza e apenas poucas pessoas o esperavam. Um dos libertados, Rami Barka, de 22 anos, disse que, de qualquer forma, deveria sair da prisão ontem mesmo depois de ter cumprido seis meses por entrar em Israel sem permissão. Isto é ridículo, disse ele. Hani al-Zawara foi libertado da prisão de Beersheba a apenas 20 dias de cumprir uma sentença de 18 meses pelo mesmo delito.


