France PresseFestaSoldados palestinos dançam em Hebron, festejando o acordo pelo qual Israel entrega a cidade ao controle da APSoldados israelenses começaram ontem a retirar equipamentos e desmantelar escritórios e quartéis de Hebron, enquanto esperavam ordens do governo israelense para deixar definitamente a cidade bíblica, depois de 30 anos de ocupação. A saída das tropas deve começar hoje e durar apenas 48 horas.
A força policial da Autoridade Palestina (AP), que recebeu os uniformes com que trabalhará na cidade durante uma festiva cerimônia, também iniciou os preparativos para a transferência de poderes, após o sinal verde do parlamento palestino. A população palestina, sem se incomodar com a chuva pesada e o nevoeiro que atingiram a cidade, começou a espalhar pôsters de Yasser Arafat por toda a cidade.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teve muito menos trabalho para convencer o parlamento do que seus ministros, que só aprovaram o acordo depois de árdua discussão. ‘‘Não estamos saindo de Hebron, estamos nos redeslocando de Hebron’’, declarou Netanyahu no parlamento. A aprovação do acordo só foi garantida graças ao apoio da oposição trabalhista.
Enquanto as tevês mostravam imagens de motoniveladoras colocando abaixo muros de cimento que cercam as instalações militares israelenses na cidade, autoridades policiais palestinas informaram que cerca de 400 policiais e paramilitares palestinos tomarão controle das instalações, que abrigarão a sede da polícia da AP local.
Para se justificar pela assinatura do acordo frente à extrema-direita israelense que apoiou seu governo desde o início, Netanyahu pôs a responsabilidade no acordo de paz de Oslo, firmado com a Organização de Libertação da Palestina (OLP) em 1993. ‘‘É uma pesada herança’’ do governo anterior, disse ele e garantiu contudo que o novo pacto é ‘‘melhor e mais seguro’’ que o de 1995.
Isso não demoveu a metade da bancada do governo, que votou contra a ‘‘entrega’’ de parte da terra bíblica de Israel. ‘‘Já não posso confiar em Netanyahu, pois ele traiu o ideal do Eretz Israel (o ‘Grande Israel’) e, por isso, temos de achar outro dirigente para conduzir o setor nacionalista’’, afirmou o ex-primeiro-ministro Yitzhak Shamir, do Likud. O filho do ex-chefe de governo Menachem Beguin, Benjamin Beguin - que renunciou ao cargo de ministro da Ciência em protesto -, não se conformava com o acordo: ‘‘Não posso aceitar a idéia de que cedamos parte do Eretz Israel.’’

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