Israel bloqueia cidades na Cisjordânia
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quarta-feira, 15 de novembro de 2000
France Presse De Jerusalém 
As oito cidades autônomas palestinas da Cisjordânia estavam isoladas do mundo ontem de manhã, depois de um bloqueio imposto anteontem à noite pelo exército israelense em reação à morte ontem de quatro israelenses, vítimas de emboscadas.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, que encerrava uma visita aos Estados Unidos, atribuiu a responsabilidade desses atentados à Autoridade Palestina.
Estes atos deploráveis são a consequência direta da política da Autoridade Palestina, que incentiva a violência e conclama à Jihad (guerra santa) contra Israel, declarou em um comunicado divulgado em Jerusalém, acrescentando que os agressores e os que os enviam serão castigados. Barak não se referiu em nenhum momento aos palestinos que morrem diariamente atingidos pelas balas dos soldados israelenses.
Devido ao bloqueio, os palestinos não podem nem entrar nessas cidades nem sair e também não podem circular pelas vias nos setores sob controle israelense.
O chefe de Estado Maior do exército israelense, general Shaul Mofaz, reconheceu contudo que o bloqueio não pode ser cem por cento hermético.
Além deste bloqueio, o cerco aos territórios palestinos imposto há mais de um mês continua vigente, o que proíbe teoricamente o acesso ao território israelense dos palestinos, em particular uns 120 mil deles que iam trabalhar ali diariamente.
O bloqueio das oito cidades autônomas (Belém, Hebrón, Jenín, Jericó, Kalkiliya, Nablus, Ramallah e Tulkarem) é consequência direta da morte de três israelenses por disparos de palestinos em dois ataques contra um automóvel e m ônibus perto de Ramallah.
Por outra parte, um quarto israelense foi morto anteontem à noite em circunstâncias semelhantes na Faixa de Gaza.
Trata-se do balanço mais grave do lado israelense desde que começaram os confrontos, no dia 28 de setembro passado.
O balanço da Intifada ontem era de 219 mortos, em sua maioria palestinos. O número de vítimas israelenses é de 24 (12 militares e 12 civis).
As quatro novas vítimas israelenses seriam enterradas ontem, assim como os três palestinos mortos pelo exército israelense ontem na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, além de um quarto palestino morto ontem em consequência de seus ferimentos, Aahmed Dahlan, de 19 anos, sobrinho de uma importante autoridade palestina.
Segundo o ministro israelense de Comunicações, Binyamin Ben Eliezer, o presidente palestino Yasser Arafat decidiu fazer uma guerra nas estradas.
Ben Eliezer, considerado como um falcão no Governo, afirmou que Israel sabe quem cometeu o atentado de ontem perto de Ramallah. Entretanto, recusou-se a fornecer maiores detalhes, dizendo que o exército israelense atuará para que os autores deste atentado sejam castigados.


