Israel aprova retirada da faixa de Gaza
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domingo, 20 de fevereiro de 2005
Folhapress<br> São Paulo 
São Paulo - O governo de Israel tomou uma decisão histórica, ontem, e aprovou o plano de retirada da faixa de Gaza e parte da Cisjordânia. O projeto do premiê Ariel Sharon recebeu 17 votos a favor e cinco contra. Também foi aprovada a alteração da rota de construção da barreira na Cisjordânia, com 20 votos a favor, um contra e uma abstenção.
A votação marca a primeira vez que Israel aprova um desmantelamento de assentamentos judaicos em territórios reivindicados por palestinos como parte de seu futuro Estado.
Sharon, ex-patrono dos colonos que vivem nos assentamentos judaicos instalados em territórios palestinos, disse ontem que a decisão foi histórica e pode determinar o futuro de Israel.
Estou convencido de que a decisão que tomamos é a correta para garantir o futuro de Israel como um Estado judaico e democrático, disse Sharon, em um evento, após a sessão no Knesset [Parlamento israelense]. Com a decisão de hoje, Israel provou que quer dar passos dolorosos para fazer a paz, disse, acrescentando, no entanto, que não irá abrir mão da segurança, nem agora nem no futuro. Esperamos que nossos vizinhos tenham a coragem para dar passos ousados, que abram caminho para a paz no Oriente Médio.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, reiterou em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel que Israel precisa desmantelar todos os assentamentos e parar a construção da barreira. Que direito tem Israel de construir assentamentos em nosso território?, disse.
Sharon planeja desmantelar 21 assentamentos na faixa de Gaza e quatro na Cisjordânia, que representa a retirada de 8.500 colonos judeus a partir de julho deste ano. O ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, disse ontem que milhares de soldados e policiais das forças de Israel participarão da operação. A retirada dos colonos foi separada em quatro fases, e o gabinete aprovará cada uma delas separadamente.
O único empecilho para que o desmantelamento ocorra em julho é o Orçamento de 2005. Se Sharon não conseguir aprová-lo no final de março, quando será apresentado a votação, seu governo cai automaticamente. E Sharon ainda não garantiu a maioria no Parlamento na questão das despesas do plano de retirada.
O líder de oposição Yosef Lapid disse na semana passada que seu partido, o Shinui [de cunho moderado], rejeitaria o Orçamento proposto por Sharon por causa da destinação de milhões de dólares a partidos religiosos.
Rota da barreira - Também em votação realizada ontem, o governo israelense aprovou a alteração do traçado da construção da barreira que Israel constrói na Cisjordânia. A aprovação permitirá que dois grandes assentamentos judaicos instalados na Cisjordânia fiquem do lado israelense do muro de proteção.
O mapa retificado da barreira inclui aproximadamente 7% da Cisjordânia ocupada, excluindo Jerusalém Oriental anexada, contra 16% no traçado original, segundo o jornal israelense Haaretz.
A nova cerca de Israel incluirá a colônia urbana de Maalei Adumim, o principal assentamento na Cisjordânia [com 25 mil habitantes], a 10 km de Jerusalém, e as colônias de Gush Etzion (sul da Cisjordânia).
Israel justifica a construção da barreira alegando ser uma proteção contra a entrada de terroristas em seu território. Para os palestinos, o muro representa um ato separatista e a interrupção de sua liberdade de ir e vir. A comunidade internacional também condena a construção.
Em uma decisão de julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) considerou a barreira ilegal e exigiu a derrubada dos trechos que já haviam sido construídos. A Assembléia Geral das ONU exigiu que Israel respeitasse o veredicto da CIJ, em resolução aprovada dia 21 de julho, mas isso nunca ocorreu.
Ontem, Israel permitiu o retorno de 16 palestinos à Cisjordânia. Eles haviam sido enviados para a faixa de Gaza. O Exército israelense anula as ordens de proibição de residência emitidas contra 16 palestinos envolvidos em atividades terroristas durante os últimos anos, diz comunicado oficial do Exército de Israel. Os 16 palestinos cruzariam ontem passagem de Erez, localizado entre a faixa de Gaza e o território israelense, e depois seguiriam para a Cisjordânia.


