Ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, Trump rompeu com décadas de diplomacia americana e internacional
Ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, Trump rompeu com décadas de diplomacia americana e internacional | Foto: Shutterstock



São Paulo - A tensão sobre o futuro de Jerusalém aumentou nestes primeiros três dias de 2018. Nesta quarta-feira (3), foi registrada a 14ª morte de um palestino em confrontos com soldados de Israel em menos de um mês. Os confrontos têm se intensificado após a série de ações de Israel e EUA em relação a Jerusalém e ao Estado da Palestina.

Os atos mais representativos partiram de Israel, cujo parlamento aprovou projeto de lei que fortalece a posição do país de não dividir a soberania sobre Jerusalém com os palestinos. De acordo com o projeto, qualquer cessão de uma parte de Jerusalém aos palestinos precisa ser aprovada por dois terços do parlamento israelense. Assim, elevou de 61 para 80 o número de votos necessários para que a câmara de 120 membros aprove qualquer proposta para entregar uma área da cidade para "uma parte estrangeira".

A medida gerou críticas dentro do próprio parlamento, já que opositores acreditam que o ato prejudica as conversas para a paz na região. Para o deputado Dov Khenin, a medida pode provocar "um banho de sangue". A decisão de Israel foi tomada menos de um mês após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que reconhecia Jerusalém como capital de Israel.

Israel ocupa a parte oriental de Jerusalém e a Cisjordânia desde a guerra de 1967. Em 30 de julho de 1980, o parlamento de Israel aprovou a anexação de Jerusalém, em decisão condenada pelo Conselho de Segurança da ONU em 20 de agosto do mesmo ano. Israel considera que sua capital "eterna e indivisível" é a totalidade de Jerusalém, enquanto os palestinos almejam que a parte oriental de Jerusalém seja a capital do Estado palestino.

Os palestinos reagiram. Para o secretário-geral da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Saeb Erakat, os israelenses só tomam essas posições porque têm o apoio dos EUA. "A administração americana adota a posição da ocupação", afirmou a uma rádio local. Ele disse ainda que os palestinos "lutarão contra as tentativas americana e israelense de impor suas soluções".

Donald Trump, ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, em 6 de dezembro de 2017, rompeu com décadas de diplomacia americana e internacional e desencadeou uma série de protestos de palestinos, que desde então resultaram em 14 mortes. A última foi a de Mussab Firas Tamimi, 17, morto nesta quarta-feira por tiros de soldados israelenses durante confronto perto de Ramallah, na Cisjordânia.

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