Israel aplaude; árabes se unem em apoio ao Sudão
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sexta-feira, 21 de agosto de 1998
France Press 
As monarquias do Golfo Pérsico, aliadas tradicionais dos Estados Unidos, não emitiram nenhum comentário oficial ontem, depois dos ataques aéreos de Washington contra o Sudão e o Afeganistão, mas alguns jornais da região publicaram artigos com severas críticas a eles.
O Iraque, envolvido numa nova questão com as Nações Unidas em torno do desarmamento, declarou sua indignação e se disse disposto a atuar contra a arrogância norte-americana.
O principal aliado dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, a Arábia Saudita, ainda não havia reagido aos ataques na tarde de ontem, mas a imprensa saudita voltou a criticar as agressões israelenses contra os palestinos e os lugares santos de Jerusalém. Os jornais do Kuwait e de Omã dedicaram várias páginas aos ataques de Washington, sem qualquer comentário.
O presidente do Iêmen, Ali Abdallah Saleh, em conversa por telefone com o colega sudanês, Omar el-Bechir, condenou os ataques e afirmou que estes atos põem em risco a estabilidade da região. O jornal do Vaticano, LOsservatore Romano, frisou em sua edição de hoje, que circulou ontem à tarde, a preocupação e as reações divergentes da comunidade internacional após os ataques americanos contra Afeganistão e Sudão.
Em outros pontos, a reação também foi negativa para os EUA. O primeiro-ministro francês teve dificuldades em justificar os ataques. Na Rússia, o presidente Yeltsin protestou por não ter sido consultado antes. O governo de Israel aplaudiu Clinton, mas a imprensa do país fez fortes críticas à ação bélica. A Inglaterra, tradicional aliada dos Estados Unidos, não mostrou entusiasmo pelo ataque.
Os países árabes nas Nações Unidas apóiam o Sudão, país que exige a constituição de uma comissão de investigação, em seguida às incursões norte-americanas contra uma fábrica de produtos farmacêuticos em Cartum, declarou à AFP um diplomata árabe.
O grupo árabe, reunido ontem, enviou uma carta ao presidente do Conselho de Segurança apoiando o pedido do Sudão. O Governo sudanês pediu que o Conselho envie uma comissão ao Sudão para provar que a fábrica Al-Shifaa não produzia armas químicas. No Cairo, a Liga Árabe condenou oficialmente o ataque americano.


