São Paulo- O Parlamento israelense concedeu ontem aprovação formal ao governo de coalizão do premier Ehud Olmert, que deve priorizar a demarcação das fronteiras de Israel durante o seu mandato de quatro anos.
  O novo gabinete foi aprovado por 65 votos a favor e 49 contra, em um universo de 120 parlamentares. Olmert vinha atuando como premier interino desde que Ariel Sharon sofreu um derrame que o deixou em coma, em 4 de janeiro.
  Líder do partido centrista Kadima, que venceu o pleito de 28 de março, Olmert afirmou ontem que vai conduzir a retirada de parte dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.
  Segundo o novo premier, a colonização instalada de maneira dispersa ‘‘põe em perigo o futuro de Israel como Estado judeu’’.
  Além de estabelecer o ano de 2010 como limite para a implantação do plano, Olmert anunciou também que as fronteiras israelenses serão alteradas em relação ao território controlado hoje pelo país.
  Ele também advertiu que
poderá impor uma posição unilateral caso as autoridades palestinas não aceitem as
mudanças.
‘‘Se a Autoridade Nacional Palestina (ANP) não cooperar, agiremos de maneira independente para fixar novas fronteiras’’, declarou. ‘‘Um grupo dirigido por um movimento terrorista jamais será um interlocutor em negociações de paz’’, completou, em referência ao Hamas, hoje no controle da ANP.
  Embora os palestinos apóiem a saída israelense da Cisjordânia, querem todo o território como parte de seu futuro Estado, incluindo Jerusalém Oriental, e afirmam que não aceitarão fronteiras impostas por Israel.
  Olmert não detalhou o futuro desenho dos limites, mas disse que a barreira de separação construída na Cisjordânia será a base das mudanças. A maior parte dos colonos israelenses na Cisjordânia vive do lado israelense da barreira, em assentamentos, e o premier afirmou que esses locais continuarão sob controle israelense.
  Os milhares de colonos instalados do lado oposto da barreira, porém, são vistos como candidatos à retirada. ‘‘Mesmo que os olhos judaicos se encham de lágrimas, devemos manter em vista o princípio dominante’’, disse o premier.

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