Israel amplia ofensiva
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sábado, 03 de agosto de 2002
Imad Saada<br> France Presse 
Nablus, Cisjordânia - O exército israelense continuou ontem, pelo segundo dia consecutivo, as detenções de ativistas palestinos no coração de Nablus, cidade do norte da Cisjordânia, qualificada de ''capital do terrorismo'' pelo ministro israelense de Defesa, Binyamin Ben Eliezer.
Os soldados revistaram casa por casa na parte velha da localidade, cenário de violentos combates em abril passado, que foi reocupada na noite de quinta-feira. Franco-atiradores israelenses se postaram nos telhados dos edifícios próximos, informaram testemunhas.
Essa ofensiva em Nablus, na qual participaram mais de cem tanques e outros veículos blindados menores, é a resposta ao atentado com bomba da quarta-feira na Universidade Hebraica de Jerusalém, que deixou um balanço de sete mortos: quatro norte-americanos, um franco-americano e dois israelenses.
O ataque foi reivindicado pelas brigadas Ezzedin al Qassam, braço armado do movimento islâmico radical Hamas.
Cerca de 50 palestinos já foram detidos desde a entrada do exército na Casbah, ou cidade velha de Nablus, e as escavadoras derrubaram 10 casas para abrir caminho aos soldados e aos blindados pelas estreitas ruas, segundo testemunhas.
Para justificar a operação, Ben Eliezer declarou que ''Nablus se converteu na capital do terrorismo, de onde saem os camicases e os autores de ataques antiisraelenses''.
Por outra parte, uma comissão militar de apelação deverá pronunciar-se hoje sobre a expulsão de dois palestinos, irmãos de camicases, que passará a ser outra das medidas adotadas por Israel para impedir os atentados.
O conselheiro jurídico do Governo, Elyakim Rubinstein, deu sua autorizaão para que os dois palestinos sejam expulsos por dois anos. Os dois apelaram e em última instância também poderão recorrer ao Tribunal supremo israelense para evitar sua saída da Cisjordânia.
No entanto, o exército israelense e o serviço de segurança interna, o Shin Beth, reconheceram que houve ''deficiências'' na hora de preparar o bombardeio em Gaza no dia 22 de julho, quando morreram 15 palestinos, nove deles menores.
''Vimos que houve deficiências nas informações sobre a presença de inocentes em torno de Salá Chehadé'', o ativista contra quem foi dirigido o ataque e que também morreu no bombardeio, informou o porta-voz do exército.
Salá Chehadé, líder das brigadas Ezzedin al Qassam, estava em sua casa, em um bairro popular de Gaza, acompanhado de sua esposa e filha e um guarda-costas quando o caça-bombardeiro F-16 do exército israelense jogou sobre eles uma bomba de uma tonelada.
Esse ataque foi condenado de forma unânime em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos, aliados incondicionais de Israel.


