Israel ameaça ordenar novos ataques ao Líbano
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segunda-feira, 01 de março de 1999
DPA 
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reuniu ontem seu gabinete de segurança em uma sessão de emergência para debater a situação no sul do Líbano, e ameaçou ordenar novos ataques contra a guerrilha do Hezbollah. Israel começou domingo uma operação de represália nessa região pela morte de um general, dois soldados e um repórter da Rádio Israel, na explosão de duas bombas, em um atentado cometido pelo Hezbollah. O atentado ocorreu dentro da chamada zona de segurança autoproclamada por Israel no sul do Líbano em 1985.
Após a reunião, Netanyahu afirmou que Israel atacará objetivos do Hezbollah, no momento e na forma que julgarmos convenientes. Vários ministros, liderados pelo titular da pasta da Segurança Interna, Avigdor Kalahani, se disseram a favor de ataques contra a infra-estrutura civil do Líbano. Segundo Kalahani, seu país deve causar prejuízos ao governo de Beirute ou, caso contrário, retirar-se do sul do Líbano. A situação não pode continuar assim, disse ele à Rádio Israel. Já o ministro da Defesa israelense, Moshe Arens, rejeitou a possibilidade de retirada das tropas do Estado judeu do sul do Líbano, afirmando que isso poria em perigo as cidades e povoados do norte de Israel.
O exército libanês e o Hezbollah declararam estado de alerta máximo entre seus efetivos estacionados nos limites da zona de segurança. Tropas libanesas foram deslocadas para novas posições e tanques estão patrulhando a costa do Líbano desde o porto de Sidon até Tiro no sul do país. Ambulâncias da defesa civil libanesa circularam ontem pelas ruas da região de Iqlim Al Tuffah, preparando-se para atender vítimas de possíveis novos ataques aéreos das forças de Israel.
Pouco depois do atentado que matou o general, artilharia e aviões de combate começaram a atacar posições do Hezbollah no Líbano. Segundo o premier israelense, o quartel-geral da organização xiíta na cidade de Baalbeck, no vale do Bekaa, foi atingido nos bombardeios. O Hezbollah anunciou que a ofensiva israelense contra suas posições não causou vítimas.
O governo israelense pediu que os habitantes da fronteira com o Líbano permaneçam em locais protegidos e em bunkers, para não serem vítimas de ataques de foguetes Katyuscha, lançados pela guerrilha islâmica. Domingo, houve ataques desse tipo contra o norte de Israel, causando apenas danos materiais.
O primeiro-ministro libanês, Selim Hoss, pediu aos Estados Unidos e à França que pressionem Israel a acabar com as agressões e violações contra a integridade do Líbano. Hoss falou pelo telefone com o embaixador francês e como o encarregado de negócios norte-americano em Beirute. A Síria, por sua vez, saudou a mais recente ação do Hezbollah, qualificando-a de heróica.


