Israel ameaça ofensiva em retirada de Gaza
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de julho de 2005
France Presse 
Jerusalém Israel ameaçou ontem lançar uma grande ofensiva militar na Faixa de Gaza se o processo de retirada dos colonos israelenses deste território se realizar sob fogo palestino. Também ontem foi inaugurado em Nitzan (sul) um assentamento de casas móveis para receber colonos retirados da região. ''Em caso de tiros, suspenderemos a retirada e conduziremos uma grande operação, na qual estará envolvida uma divisão do exército'', declarou na rádio o vice-ministro israelense da Defesa, Zeev Boim.
Se for efetivamente lançada, esta operação de represálias deverá durar de 10 a 15 dias e atrasar de duas a quatro semanas a retirada israelense da Faixa de Gaza, cujo início está marcado para meados de agosto.
Boim considerou que o principal cenário desta eventual ofensiva seria o setor de Khan Yunes, no sul da Faixa de Gaza, perto do bloco de assentamentos de Gush Katif, onde vive metade dos colonos israelenses deste território.
Nabil Abu Rudeina, o porta-voz de Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, qualificou de ''muito perigosas'' as declarações de Boim. ''O que ele disse é muito perigoso, e terá um impacto negativo sobre o processo de paz. Exigimos que o governo israelense pare com suas ameaças. A Autoridade Palestina está pronta para assumir suas responsabilidades durante e depois da retirada'', declarou Rudeina à AFP.
Israel inaugurou neste domingo em Nitzan, no sul do país, um assentamento formado por casas móveis destinado a abrigar o primeiro contingente de colonos da Faixa de Gaza. Duas famílias de colonos foram buscar as chaves de suas novas residências na manhã do domingo, constatou um jornalista da AFP.
''Nitzan poderá abrigar 300 famílias, das quais 160 poderão chegar a partir desta semana'', frisou o ministro da Habitação, Yitzak Herzog, em declarações à rádio militar. O ministro ressaltou que as autoridades haviam encontrado soluções para ''alojar as 1.550 famílias de colonos''. ''Alugaremos alojamentos e quartos de hotéis onde não houver casas prontas'', afirmou Herzog.
No âmbito diplomático, Dov Weisglass, o principal conselheiro do premier israelense Ariel Sharon, viajou a Washington para se reunir com a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, e evocar com ela os últimos preparativos da retirada, informou um responsável pela presidência do Conselho neste domingo.
''Weisglass conversará sobre os últimos prepartivos da retirada da Faixa de Gaza, processo do qual participam quatro atores: Israel, os palestinos, Estados Unidos e Egito'', declarou à AFP este responsável, que não quis ser identificado. Também será estudada durante a reunião a solicitação palestina de que a polícia possa levar armas, munições e pequenos veículos blindados.
Segundo o responsável israelense, o Estado hebreu é muito reticente sobre este ponto. ''Na situação atual, se autorizamos os policiais palestinos a levar armas, há muitas possibilidades de que elas venham parar nas mãos de terroristas'', sustentou.


