Israel ameaça Gaza com desastre
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Folhapress 
São Paulo - O vice-ministro israelense da Defesa, Matan Vilnai, declarou ontem à Rádio do Exército que os foguetes lançados a partir de Gaza por radicais palestinos forçarão Israel a responder com uma shoah (grande catástrofe, holocausto), porque usaremos tudo o que temos à disposição para nos defender.
A palavra hebraica shoah raramente é usada em Israel para designar fatos contemporâneos. Ela quase sempre se refere ao genocídio que vitimou 6 milhões de judeus da Europa, durante a Segunda Guerra Mundial, em territórios ocupados pela Alemanha nazista.
Incursões aéreas israelenses já mataram 33 palestinos desde quarta-feira em Gaza, território controlado desde junho pelo grupo radical islâmico Hamas. As operações foram desencadeadas em resposta ao lançamento na direção de Israel de foguetes Qassan, de produção artesanal, Katyusha, de fabricação iraniana, ou Grad, derivado de um artefato russo.
O fato é que ameaçar os palestinos com uma shoah pareceu no mínimo despropositado. Consciente disso, um porta-voz de Vilnai apressou-se em dizer que ele se referia a um desastre, sem nenhuma alusão a qualquer genocídio.
Pouco depois o porta-voz do Ministério da Defesa, Arye Mekel, disse que o vice-ministro usou a palavra shoah como sinônimo de catástrofe, sem fazer ameaça de Holocausto.
Mas o estrago político já estava feito. Tanto que Ismail Haniyeh, primeiro-ministro do Hamas, com jurisdição circunscrita a Gaza, declarou que isso é uma prova da agressão planejada por Israel contra o nosso povo.


