Israel aliviou ontem bloqueios contra várias cidades da Cisjordânia, mas os palestinos acusaram o primeiro-ministro Ariel Sharon de estar realizando uma estratégia de retalhar áreas palestinas em isoladas porções de terra. Sharon e os palestinos viveram uma relação hostil por décadas, e depois de poucas polidas referências quando Sharon assumiu o poder eles voltaram a trocar duras acusações.
Soldados israelenses abriram rodovias de acesso à cidade de Ramallah, na Cisjordânia, e a um importante centro comercial logo ao norte de Jerusalém que havia sido bloqueado nos últimos dois dias. Mas havia um engarrafamento de quilômetros devido ao fato de tropas estarem promovendo buscas em todos os carros. Sharon tem dito que o forte bloqueio a Ramallah foi imposto porque forças de segurança israelenses estavam tentando apanhar terroristas que planejavam promover ataques com carro-bomba em Israel.
‘‘A política de Sharon é cruel, desumana e planejada especificamente para provocar, e não para pôr fim à violência’’, disse o ministro da Informação palestino, Yasser Abed Rabbo. ‘‘Sharon tem sempre justificado suas políticas brutais citando preocupações de segurança, reais, imaginárias ou inventadas.’’
Tropas israelenses diminuíram restrições de viagens nas cidades cisjordanianas de Belém, Tulkarem, Qalqiliya e Hebron, levantando algumas barreiras rodoviárias a fim de permitir que palestinos entrassem e saíssem das cidades.
O forte bloqueio a Ramallah foi imposto no domingo, depois que Israel afirmou ter informações de inteligência sugerindo que um grupo de militantes estava planejando sair de Ramallah para Jerusalém com um carro-bomba. ‘‘Sabemos que esse grupo ainda está em Ramallah, é bem conhecido dos palestinos, e tem todo o potencial de promover atividades terroristas’’, disse o brigadeiro general Benny Gantz, comandante das forças israelenses na Cisjordânia. Mas o negociador palestino Saeb Erekat afirmou que as ações israelenses faziam parte de uma estratégia maior para isolar os palestinos em áreas.
‘‘O que eles estão fazendo é implementar um plano de separação e isolamento ao dividir a Cisjordânia em 40 ilhas e a Faixa de Gaza em quatro. Esta é a mentalidade da ocupação’’, disse Erekat.
O grupo militante islâmico Hamas tem ameaçado saudar o novo governo de Sharon com ataques suicidas à bomba e assumiu responsabilidade por duas explosões em Israel este mês, que mataram quatro israelenses.

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