O chefe da diplomacia israelense, David Levy, declarou ontem que a decisão dos palestinos de proclamar unilateralmente um Estado independente no dia 13 de setembro significará sua retirada do processo de paz.
‘‘A decisão unilateral de proclamar um Estado significa de fato a retirada dos palestinos do processo de paz e o abandono das obrigações’’ por ambas as partes, declarou Levy ante a comissão de Relações Exteriores e de Defesa da Knesset, aberta à imprensa.
Um declaração de independência dos palestinos não terá sentido sem a aprovação israelense, advertiu ontem o ministro da Justiça de Israel, Yossi Beilin.
Sem o aval israelense, os palestinos seriam isolados do mundo e não poderiam mais viajar entre a Cisjordânia e Faixa de Gaza, que são separadas por território judeu, disse Beilin.
Anteontem, o Conselho Central da OLP encerrou uma reunião de dois dias em Gaza pedindo ao líder palestino Yasser Arafat para dar início ao processo de lançamento do Estado, com a data alvo de 13 de setembro, o prazo final para a concretização de um tratado de paz com Israel. A decisão não pede por uma proclamação unilateral.
O alto responsável palestino Saeb Erakat deu a entender que a declaração está longe de ser um ultimato. ‘‘Não acredito que isto feche alguma porta’’, declarou. ‘‘Creio que se trata mais de dar uma oportunidade ao processo de paz’’, acrescentou.
Até lá, o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, se lançam em uma partida de pôquer em que cada um aguarda, para ver se o outro cede primeiro.
Anteontem, Barak reiterou, frente a uma comissão do Parlamento, que, no caso de uma declaração unilateral de independência, Israel anexaria colônias na Cisjordânia e criaria uma ampla zona de segurança no Vale do Jordão.
Barak continua pedindo que se realize uma reunião de cúpula nos Estados Unidos, com o apoio do presidente Bill Clinton, para elaborar um acordo que determine uma paz definitiva.
Mas Arafat exige novas negociações preparatórias, para obter previamente de Israel uma nova retirada da Cisjordânia e a libertação de presos.
‘‘Ninguém fica contente com a idéia de uma declaração unilateral’’, explica Jativ, seja Estados Unidos – que anteontem reiterou sua oposição – seja Israel.
Autoridades palestinas disseram que a declaração de um Estado não precisa necessariamente ser feita em 13 de setembro. Arafat pediu às autoridades para consultar a opinião pública sobre o melhor momento.
Um pesquisa feita antes da decisão do Conselho Central mostrou que a maioria dos palestinos, 51.6%, não acredita que um Estado será declarado em 13 de setembro, enquanto 37.8% afirmaram acreditar.
Ao ser pedido ontem para explicar a vaga decisão do Conselho Central, Arafat disse que a intenção é implementar anteriores decisões da liderança, ‘‘especialmente aquela tomada em Argel em 1988’’. Na época, o Conselho Nacional Palestino declarou unilateralmente um Estado palestino, mas não definiu suas fronteiras.
Israel tem advertido que se for feita uma declaração unilateral, ele pode retaliar anexando partes da Cisjordânia onde vivem colonos judeus. A iniciativa poderia rapidamente provocar violentas confrontações.

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