Jerusalém Israel chamou de massacre o ataque palestino no sul de Gaza que matou uma mulher israelense grávida e suas quatro filhas, e acusou o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e o grupo terrorista Hamas de querer sabotar o plano israelense de separação unilateral. ''Não se pode qualificar isto senão de massacre de crianças inocentes'', disse à AFP Avi Pazner, porta-voz do governo israelense.
''Arafat e o Hamas não nos pouparão de nenhum horror para tentar impedir o avanço do processo político'', disse Pazner. ''Este ataque terrorista certamente aponta para minorar o processo de separação entre nós e a Faixa de Gaza, já difícil em si'', prosseguiu. ''Poderá ter um impacto sobre a votação, mas é difícil explicar como''.
O ataque foi praticado com armas automáticas e explosivos no sul de Gaza, na estrada de Kisufim que leva ao bloco de colônias judaicas de Gush Katif, e seus autores foram mortos pelo exército israelense, segundo fontes de segurança israelenses e palestinas.
Depois do ataque, um interlocutor que se identificou como membro do Jihad em ligação telefônica à AFP, afirmou: ''As Brigadas Al-Qods (braço armado do Jihad) e os Comitês de Resistência Popular são os responsáveis pela operação de martírio perto de Kisufim''.
Os autores do ataque foram identificados como Faisal Abu Nqira, de 26 anos, dos Comitês, e Ibrahim Hammad, 25 anos, da Jihad. Os dois seriam de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, e teriam cometido a ação para vingar os assassinatos do xeque Ahmed Yassin, fundador do Hamas, e de Abdelaziz al Rantissi, seu sucessor em Gaza.
O incidente ocorreu quanto se realizava a votação do partido Likud sobre o plano de separação unilateral do premier israelense, Ariel Sharon, que inclui uma retirada total da Faixa de Gaza e a anexação de fato do território palestino ocupado por grandes blocos de colônias na Cisjordânia. No final do dia, o Likud acabou rejeitando o plano de Sharon, por maioria dos votos.
O Exército israelense instalou postos de controle na Faixa de Gaza, cortando o território em três setores pela primeira vez em um ano, segundo informações da segurança palestina e de testemunhas. Os três bloqueios foram instalados no sul, norte e centro da Faixa de Gaza, o último na altura da colônia de Netzarim, perto da Cidade de Gaza. ''Tomamos estas disposições por razões de segurança, depois de alerta de atentados'', confirmou à AFP uma fonte militar.

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