Isolamento de FHC irrita diplomatas
Agência Estado
De Florença
Os diplomatas que acompanharam o presidente Fernando Henrique Cardoso em Florença ficaram preocupados com o pedido do premier da Alemanha, Gerhard öShroeder, para uma ação contra os dumpings social e ecológico. Eles acham que a posição de Shröoeder antecipa as dificuldades que o Brasil terá em Seattle, EUA, no fim do mês, na Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Brasil já anunciou que pode boicotar a reunião de Seattle se os países europeus não aceitarem discutir a abertura de seus mercados agrícolas. Na avaliação do governo brasileiro, o argumento dos dumpings social e ecológico é a mais recente invenção européia para manter o protecionismo.
A diplomacia brasileira também não gostou da unanimidade dos líderes contra a proposta de FHC, principalmente o completo desprezo que demonstraram pela taxa Topin defendida por Fernando Henrique. A taxa Tobin é uma tributação dos capitais especulativos proposta pelo economista americano James Tobin, que serviria para formar um colchão de liquidez a ser administrado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial (Bird).
O dinheiro seria utilizado para evitar que a crise financeira de um país emergente se estendesse para os outros por contágio ou seja, pela deterioração das expectativas, que levaria o pânico aos investidores. A intenção é evitar o chamado instinto de manada, que ocorre quando todos os investidores fogem de um país ao mesmo tempo porque alguém ou algum banco importante concluiu que ali não existe mais segurança.
O presidente dos EUA, Bill Clinton, disse que a crise atinge apenas os países cujos governos não fizeram o seu dever de casa, ou seja, cuja políticas econômicas não têm credibilidade e não despertam a confiança dos mercados. Nestes casos, o instinto de manada seria não apenas compreensível, mas uma atitude racional.
Um diplomata disse que FHC escreveu sobre a regulação do fluxo de capitais, ainda em 1995, para os chefes de governos dos países integrantes do G-8 (Estados Unidos, Japão, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Rússia). As informações que temos é que eles aceitaram as sugestões, disse um embaixador. A mesma condescendência não foi demonstrada pelos diplomatas em relação às afirmações de Gerhard öShroeder.
O primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, disse estar consciente do perigo da extrema direta assumir o poder, se a Terceira Via não for capaz de dar respostas aos problemas do presente. O premier da França, Lionel Jospin, reafirmou sua convicção de que o fenômeno da globalização não pode acabar com as identidades nacionais. Talvez o primeiro-ministro da Itália, Massimo DAlema, tenha expressado a síntese da conferência. Nós estamos à procura de um novo modelo político.





