São Paulo - Após a série de protestos contra o governo interino do Egito ontem, no que foi chamado "dia da fúria" pela Irmandade Muçulmana, os partidários do presidente deposto Mohamed Morsi convocaram mais uma semana de protestos pelo país começando a partir de hoje.
"Chamamos o povo egípcio e as forças nacionais para protestar diariamente, até que o golpe acabe", diz o grupo islâmico em um comunicado, em alusão ao ato que derrubou o presidente islâmico em 3 de julho.
O governo egípcio disse que enfrenta um "plano terrorista" da Irmandade Muçulmana e convocou os cidadãos à unidade nacional, apelando para que não atendam as chamadas das divisões islamitas.
No Cairo, milhares de islamitas ocuparam as principais ruas, pontes e praças em direção à Praça Ramsés. No ponto de encontro, islamitas e a polícia trocaram tiros e as forças de segurança disparam gás lacrimogêneo.
O fotógrafo da Folha Joel Silva, de 47 anos, foi atingido por um disparo de raspão na cabeça. Ele fotografava protestos de islamitas ao redor da cidade quando houve um confronto entre apoiadores e opositores de Morsi.
Na segunda maior cidade egípcia, Alexandria, pelo menos cinco pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas. Também houve cinco mortos e 70 feridos na cidade de Fayoum, no sul.
As manifestações foram convocadas dois dias após o massacre ocorrido na operação policial que desalojou dois acampamentos da Irmandade Muçulmana, entidade a que Morsi é filiado, que deixou pelo menos 638 mortos e mais de 4 mil feridos.

Munição
As marchas acontecem após o governo interino do Egito autorizar oficialmente o uso de armas e munição letal contra tentativas de depredar prédios do governo e ataques às forças de segurança.

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