Ontem, na última sexta-feira do mês do jejum sagrado muçulmano, o Ramadã, a Faixa de Gaza também quer prestar sua homenagem a Arafat. Vários grupos palestinos, entre eles a Jihad Islâmica e o Hamas, organizaram funerais simbólicos na mesquita Omari de Gaza, previstos para acontecer ao mesmo tempo em que a cerimônia de Ramallah.
A Faixa de Gaza está cercada e seus habitantes não podem ir a Ramallah. Para isso, precisam de autorização especial de Israel, que em geral a nega. O 'rais' palestino, que ficou dias entre a vida e a morte no hospital militar Percy na França, não pôde ser enterrado na mesquita Al-Aqsa de Jerusalém, como era seu desejo. Entretanto, o grande sarcófago em que seu corpo ficará será coberto com terra trazida da cidade santa, para onde ele poderá ser levado no futuro se houver um acordo com Israel, algo improvável no momento.
O cerimonial previa que seu restos mortais fossem retirados do caixão, envoltos em um singelo sudário de algodão branco e postos em uma cova chamada ''lahd'', de menos de um metro de largura e dois de comprimento, onde seria colocada a terra vinda especialmente de Jerusalém.
O ministro palestino das Municipalidades, Jamal Chubaki, disse que na hora do enterro o corpo de Arafat seria ''colocado em um caixão de cimento'' que poderia ser transportado a qualquer momento para Jerusalém, como o histórico líder queria.
A Muqata, quartel-general de Arafat, tornou-se o último símbolo de sua resistência, onde viveu três anos praticamente entrincheirado, entre escombros, em péssimas condições de higiene e saúde, isolado do ponto de vista político.
Israel conseguiu impedir a realização do último desejo de Arafat, que era ser enterrado em Jerusalém, perto da mesquita de Al Aqsa, terceiro lugar santo para o Islã, depois de Meca e Medina.

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