Associated Press
De Islamabad
O novo regime militar paquistanês criticou ontem a Comunidade Britânica (Commonwealth) pela decisão de suspender o país, mas procurou minimizar a importância da resolução – assinalando que ela provavelmente não terá ‘‘nenhum impacto político nem econômico’’ no Paquistão.
A decisão de terça-feira dos chanceleres da Commonwealth foi uma resposta ao golpe militar que depôs no dia 12 o governo democraticamente eleito de Nawaz Sharif. A comunidade decidirá em novembro se expulsa o país.
‘‘Lamentamos essa decisão apressada’’, afirmou o secretário de Relações Exteriores, Shamshad Ahmed, acrescentando que a Commonwealth ignorou as ‘‘circunstâncias extraordinárias’’ que levaram ao golpe do general Pervez Musharraf.
O general depôs Sharif numa ação relâmpago e sem derramamento de sangue, horas depois que o primeiro-ministro tentou afastá-lo do comando militar. Alegando que o governo corrupto de Sharif estava destruindo sistematicamente as instituições do Estado e arruinando o país, Musharraf nomeou-se chefe do Executivo, fechou o Parlamento, suspendeu a Constituição e decretou estado de emergência.
Mas Ahmed ressaltou ontem que ‘‘não há lei marcial, existe um sentimento popular em favor da mudança, o Judiciário está funcionando normalmente sob a lei civil e não há restrições ao trabalho da imprensa’’. Ele garantiu ainda que o gabinete que Musharraf deverá anunciar ainda esta semana terá fundamentalmente um ‘‘caráter civil’’, e acrescentou que as Forças Armadas ‘‘não ficarão no poder nem um pouco mais do que o absolutamente necessário’’.
No entanto, não há prazo previsto para a devolução do poder a um governo eleito.
Embora tenha criticado a decisão da Commonwealth, o secretário afirmou que o regime receberá a delegação de quatro ministros que a comunidade enviará ao país nos próximos dias para pressionar pela rápida restauração da democracia. Mas ele pediu que seja enviada também uma missão de reconhecimento para confirmar o amplo apoio público aos golpistas.
A Comunidade Britânica já antecipou que sua delegação, além de reunir-se com Musharraf, vai tentar visitar Sharif, que está detido com seu irmão Shabaz (governador deposto do Estado de Punjab) e com um general leal desde o dia do golpe. ‘‘Estão todos bem’’, garantiu Ahmed.
O jornal paquistanês ‘‘The News’’ informou ontem que o primeiro-ministro deposto deverá ser julgado por um tribunal militar sob várias acusações, entre elas a de ‘‘conspirar contra a vida’’ de Musharraf – por negar-se a autorizar o pouso do avião que trazia o general do exterior no dia do golpe. O avião acabou pousando com atraso no aeroporto de Karachi, depois que este foi tomado pelos golpistas. Um porta-voz militar disse que o tipo de julgamento, civil ou militar, dependerá ‘‘da natureza das provas’’ contra Sharif.

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