A deputada chilena Isabel Allende, filha do ex-presidente socialista Salvador Allende, derrubado num golpe de Estado pelo general Augusto Pinochet, se tornou ontem, em Roma, a primeira testemunha no processo aberto pela Justiça italiana contra o ditador chileno.
Acompanhada por um grupo de advogados e representantes de associações humanitárias, Isabel Allende permaneceu por mais de uma hora com o procurador romano, Giancarlo Capaldo, que deverá estabelecer se existem elementos para acusar formalmente o general Pinochet (1973-1990) pelo desaparecimento de pelo menos cinco cidadãos ítalo-chilenos durante a ditadura militar.
Isabel Allende disse à imprensa que estava em La Moneda, palácio presidencial do Chile, lugar onde se encontrava um dos cinco casos denunciados na Itália, o de Juan Montillo, de origem italiana e guarda-costas do presidente.
Os outros casos são os de cidadãos de origem italiana Omar Venturelli, Giovanni Maino, Jaime Donato e Dignaldo Pizzini.
Isabel contou ao procurador italiano os trágicos eventos ocorridos no dia do golpe no Palácio de La Moneda, onde trabalhava com seu pai. ‘‘Meu pai negociou para que o pessoal civil saísse de La Moneda para que fôssemos depois testemunhas da traição que sofreu’’, disse.
Isabel anunciou que pedirá ao ministro da Justiça italiano, Piero Fassino, que a Itália se torne parte interessada, em caso de abertura formal do julgamento.
Ela afirmou também desejar que as causas contra Pinochet se ampliem tanto na Itália quanto na Espanha, França, Suíça e Bélgica e que atinjam ‘‘a cadeia inteira de responsáveis’’.
Durante sua visita, Allende vai se encontrar com o vice-ministro das Relações Exteriores, Ugo Intini e o secretário-geral do Partido Democrático de Esquerda (DS), Walter Veltroni.

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