Num clima de surpreendente tranquilidade, os norte-irlandeses escolheram ontem entre 269 candidatos protestantes e católicos os 108 membros da Assembléia Legislativa do Ulster (Irlanda do Norte) - que dará vida ao acordo de paz aprovado pela maioria esmagadora do eleitorado da província britânica em 22 de maio.
Apesar da chuva e do atentado de quarta-feira em Newtownhaminton (65 quilômetros ao sul da capital) com um carro-bomba que feriu duas pessoas, o comparecimento às urnas foi considerado ‘‘bom’’ na capital e no condado de Down (leste) e ‘‘muito concorrido’’ nos demais condados do interior.
Os analistas políticos norte-irlandeses haviam previsto grande abstenção, mas alguns funcionários da comissão eleitoral estão otimistas. ‘‘Pelo que ocorreu no período da manhã, achamos que o índice de presença atingirá 70%’’, disse um deles. No referendo, o comparecimento foi de 81% - um recorde para os padrões do eleitorado norte-irlandês. Segundo ainda o funcionário, a apuração começará hoje às 8 horas e terminará amanhã à tarde.
Um forte esquema de segurança foi montado para garantir a ordem do pleito, que começou por volta de 7 horas. ‘‘Certamente, estas são as eleições mais importantes do Ulster nos últimos 80 anos’’, disse depois de votar o católico Gerry Adams, líder do Sinn Fein - braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), que aderiu ao processo de paz.
Por sua vez, o protestante David Trimble, presidente do Partido Unionista do Ulster (UUP) - maior agremiação política da província - dirigiu um apelo ao norte-irlandeses: ‘‘Venham todos encerrar a obra iniciada com o referendo.’’
Crítico contumaz do acordo de paz, o reverendo Ian Paisley, chefe do Partido Democrático Unionista (DUP), fez uma previsão: ‘‘O não ao acordo fará maioria na Assembléia.
A Assembléia norte-irlandesa poderá votar leis para o desenvolvimento econômico do território e relações com a República da Irlanda (principalmente exploração de recursos naturais), criar impostos e adotar medidas para melhorar a saúde pública e o sistema educacional. As políticas econômica, internacional e de segurança ficam a cargo da Grã-Bretanha.

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