France PressBrindeO primeiro-
ministro
britânico,
Tony Blair,
brinda com
o seu colega
espanhol,
José Aznar,
pelo sucesso
do acordo
obtido na
Irlanda
do Norte.
Blair viajou
para a
Espanha
logo após
o encerramento
das negociações e já é apontado
pela imprensa
britânica
como candidato
ao Nobel
da Paz
por causa
do acordoO ex-senador americano George Mitchell, presidente das negociações sobre a Irlanda do Norte, que terminaram sexta-feira com um acordo histórico, disse ontem ser ‘‘ilusório pensar que os problemas estão resolvidos’’. ‘‘É um resultado significativo’’, estimou Mitchell em entrevista à BBC, mas ‘‘ainda há um longo caminho a percorrer. A implantação do acordo será difícil e ainda há motivos para controvérsias’’.
Para o ex-senador, que passou mais de três anos comprometido com o processo de paz na Irlanda do Norte, ‘‘o mais importante é que o povo da Irlanda do Norte comprovou que o processo democrático funciona, que é possível resolver questões políticas através do diálogo’’.
Mitchell citou algumas das dúvidas para as quais ainda não há respostas:
‘‘Será capaz a assembléia de se auto-organizar, de atuar como um corpo legislativo eficaz? Os irlandeses do norte sentirão um impacto em sua vida cotidiana?’’. Além destes pontos sensíveis, mencionou outros, como a questão dos prisioneiros, da polícia, do sistema judicial.
Mitchell ressaltou o compromisso do presidente americano, Bill Clinton, nas negociações e elogiou os primeiros-ministros britânico e irlandês, Tony Blair e Bertie Ahern, que foram ‘‘formidáveis’’.
ReferendosOs eleitores da Irlanda do Norte e do Sul serão provavelmente convocados no próximo 22 de maio para dois referendos diferentes nos quais se pronunciarão sobre o acordo de paz.
O texto a ser proposto ainda não foi redigido, mas será relativamente simples em Belfast e em toda a província britânica, onde se trata de obter um pronunciamento contra ou a favor da criação de novas instituições, dando a Dublin o direito de controle no âmbito de uma Irlanda do Norte semi-autônoma.
Ao contrário, na República da Irlanda a questão será dupla, pois os eleitores não só deverão aprovar o acordo - do qual seu primeiro-ministro, Bertie Ahern, foi um dos principais artífices -, como também deverão validar uma modificação dos artigos 2 e 3 da Constituição.
Segundo o acordo concluído sexta-feira, o novo texto da Constituição irlandesa deve suprimir a reivindicação territorial sobre a Irlanda do Norte com vistas à reunificação da ilha, dividida desde 1921.
O porta-voz do primeiro-ministro britânico confirmou a data de 22 de maio para o referendo e as autoridades irlandesas o farão enquanto organizam seu calendário eleitoral.
ApoioO líder do partido protestante do Ulster, UUP (moderado), David Trimble, obteve ontem em Belfast o apoio do Comitê executivo de seu partido político ao texto do acordo de paz.
Os 110 membros do Comitê executivo do partido votaram por maioria de dois terços em favor do acordo, informou uma fonte próxima do líder protestante.
Jeffrey Donaldson, um de seus principais conselheiros, havia abandonado sexta-feira as negociações, depois de negar-se a ratificar o documento.
O deputado da UUP, William Ross, referiu-se ontem ao acordo em termos particularmente duros, afirmando que ‘‘reunia todos os atributos de uma rendição total às exigências do IRA’’.

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