Bagdá- Milhares de iraquianos protestaram ontem contra os resultados das legislativas de 15 de dezembro, enquanto o exército americano anunciava a morte de três soldados, dois deles num acidente de helicóptero.
Ao mesmo tempo, a presidência iraquiana informou que o chefe de Estado, Jalal Talabani se reunirá amanhã com o líder da lista dos xiitas conservadores, Abdel Aziz Hakim, considerado o vencedor das eleições.
Em Bagdá, cerca dez mil pessoas foram às ruas do bairro Mansour, gritando ''Maram'', iniciais árabes para ''Congresso da rejeição das eleições falsificadas'', para denunciar os resultados das eleições.
Iniciada com algumas centenas de pessoas, a manifestação foi rapidamente reforçada. A multidão exibia cartazes sobre os quais estava escrito em árabe ''Maram diz não à Comissão eleitoral'', ''Não à divisão do Iraque'' e ''Queremos novas eleições''.
Ali Tamimi, porta-voz do Maram, formado por 42 movimentos que contestam os resultados, informou que a manifestação ''visava expressar a rejeição da população às falsificações dos resultados pela Comissão eleitoral''.
Centenas de pessoas se manifestaram sobre o mesmo tema em Tikrit, reduto do presidente deposto Saddam Hussein, 180 km ao norte de Bagdá, onde houve protestos na última sexta-feira.
Ao mesmo tempo, o exército americano anunciou que um marine havia sido morto nesta segunda-feira durante uma operação a oeste de Bagdá, o que eleva para quatro o número de militares mortos neste dia.
As perdas do exército americano e de civis que trabalhavam com americanos já ultrapassaram 2.160 desde a invasão do Iraque em março de 2003, segundo o pentágono.
Em Kerbala, cidade santa xiita 100 km ao sul de Bagdá, corpos de mulheres e de crianças foram encontrados na segunda-feira numa fossa comum onde havia cerca de 20 corpos, segundo um responsável local.
A fossa, uma das várias descobertas no Iraque desde a invasão, remonta à repressão do levante xiita de 1991, segundo testemunhas.
Além disso, fontes da segurança indicaram que nove iraquianos haviam morrido em diferentes ataques no país, entre eles um coronel do exército morto em Kirkuk, no norte do Iraque.

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