Bagdá - Dezenas de milhares de xiítas participaram, com entusiasmo, da primeira prece das sextas-feiras dos últimos quatro anos em Sadr City, subúrbio de Bagdá, enquanto uma manifestação na capital contra a presença americana reunia cerca de 10 mil pessoas. Uma multidão estimada pelos jornalistas entre 10 e 12 mil pessoas foi para o centro de Bagdá após a prece na mesquita sunita Abu Hanifa.
Alguns levavam exemplares do Alcorão e numerosas bandeirolas onde se podia ler ''Não à ocupação'' e ''Eles (os americanos) vieram roubar nosso dinheiro e nossa religião''.
Em Sadr City, a mesquita Al-Hikma, situada no centro desta localidade pobre de cerca de dois milhões de habitantes, encheu de gente que também se espalharam pelas ruas vizinhas, sob a proteção de homens armados com fuzis Kalachnikov agindo sob as ordens dos religiosos. Esta mesquita foi fechada pelo antigo regime durante os tumultos de 1999 que se seguiram ao assassinato do imã Mohammed Sadeq Sadr, e a partir desta data as preces de sexta-feira não foram mais autorizadas, segundo os moradores.
Na sua pregação, o xeque Mohammed Fartousi, delegado dos religiosos xiítas de Najaf, não citou especialmente os Estados Unidos, mas advertiu que os xiítas que não acreditam em ''uma democracia formal que não dê aos iraquianos nenhum direito de decidir sobre o próprio destino''. ''Do contrário, esta forma de governo seria pior que o de Saddam Hussein'', afirmou. A multidão se dispersou em calma após a prece.
Egito - Vários fiéis se manifestaram ontem na grande mesquita de Al-Azhar, no Cairo, contra a ocupação norte-americana do Iraque e as ameaças americanas à Síria. Os manifestantes, que se reuniram depois do meio-dia no interior da mesquita, no centro do Cairo, por ocasião da oração de sexta-feira, brandiram slogans denunciando a ocupação americana do Iraque e afirmando que os iraquianos devem governar seu país.
Quando fez seu sermão na mesquita, o sheik Id Abdel Hamid pediu a unidade da nação árabe e islâmica ''diante da agressão''. As manifestações de rua estão impedidas no Egito em virtude do estado de emergência em vigor desde 1981, mas eles são tolerados nos campos e no interior das mesquitas.
Novo governo - O chefe do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), ex-movimento de oposição ao regimde SaddaHussein, afirmou ontem, em Bagdá, que o Iraque terá um governo democrático dentro de dois anos, depois de um período de transição dividido em três etapas. Chalabi, que é apoiado pelo Pentágno, reafirmou durante uma coletiva de imprensa que não assumirá nenhum papel durante esse período de transição.
O chefe do CNI declarou além disso que a reconstrução do Iraque será feita em três etapas, sem precisar onde obteve essa informação, mas indicando ter mantido entrevistas com outros políticos iraquianos e americanos sobre esse tema. A primeira etapa consistirá em restabelecer os serviços públicos com as forças de coalizão anglo-americana. A segunda em instalar um governo interino composto por iraquianos que terá cmo tarefa elaborar uma constituição. A terceira etapa consistirá na organização de eleições democráticas.

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