Milhares de iraquianos se manifestaram ontem, aos gritos de ‘‘abaixo os Estados Unidos’’, em dois locais de Bagdá, por motivo do oitavo aniversário do início da guerra do Golfo, dia 17 de janeiro de 1991.
Os manifestantes, entre os quais estudantes e funcionários de empresas estatais, desfilaram ante uma tribuna em uma grande avenida da zona oeste de Bagdá.
O general Ali Hassan Majid, membro do Conselho de Comando da Revolução (CCR), a maior instância dirigente iraquiana, e comandante da região sul, estava presente na tribuna.
‘‘Clinton, covarde, vai seduzir mulheres’’, gritavam os manifestantes, referindo-se ao caso Monica Lewinsky que provocou a ação de impeachment que o Senado norte-americano está examinando.
Conselho de Segurança O ministro alemão de Relações Exteriores, Guenter Verheugen, lamentou a ‘‘clara desunião’’ que existe em sua opinião entre os membros do Conselho de Segurança sobre a posição a ser adotada em relação ao Iraque, em uma entrevista publicada ontem pelo jornal Neue Osnabruecker Zeitung.
‘‘É necessária uma posição comum. Mas não se percebe que Estados Unidos e Grã-Bretanha por uma parte e China, Rússia e França por outra possam chegar a um acordo sobre uma nova avaliação da situação nem sobre outras decisões’’, considerou Verheugen.
O presidente iraquiano, Saddam Hussein, ‘‘especula continuamente’’ com a falta de união no Conselho, assinalou o ministro alemão. Para ele, ao Conselho é que incumbe a decisão definitiva sobre as sanções.
Opinião de Clinton O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, considerou que a formação de um novo governo no Iraque seria a melhor saída para a crise, em uma entrevista publicada ontem pelo jornal árabe Asharq al Awsat, da capital saudita.
‘‘Enquanto Saddam Hussein permanecer no poder, o Oriente Médio continuará ocupado pelo conflito que impede qualquer ação positiva pacífica e o povo iraquiano permanecerá sob o jugo de um Estado policial criminoso sem esperança de normalização no horizonte’’, declarou ao jornal, editado em Londres e publicado em várias capitais árabes.
Clinton se disse disposto a ajudar um novo Iraque, atuando em favor da flexibilização das sanções econômicas e do cancelamento das dívidas feitas por Saddam Hussein.
Clinton, que assegurou que seu país não enviará forças terrestres para apoiar a oposição iraquiana, precisou que está sendo elaborada uma lista de partidos da oposição, aos quais os Estados Unidos podem ajudar.

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