Bagdá Os moradores do povoado em que foi derrubado domingo um helicóptero militar americano prometiam ontem um aumento da ''resistência'' frente aos ocupantes e alguns já falavam de um novo Vietnã para Washington. ''É um dia de festa'', reiteraram todos os moradores de Albu-Issa, 50 km ao oeste de Bagdá, ao se referir ao ataque contra o helicóptero militar que deixou 16 soldados americanos mortos e 20 feridos.
Os americanos dizem que se acha em curso a investigação para determinar a causa exata da queda do aparelho, mas os numerosos depoimentos recolhidos no local asseguram que o helicóptero foi derrubado por um míssil terra-ar.
''Se apenas um soldado americano morre já ficamos contentes. Imaginem então como estamos agora'', diz Hadi, cercado por vinte jovens que concordam. ''Os Estados Unidos são o inimigo do Islã!'', grita um deles. ''Se Deus quiser, vamos derrubar mais dois ou três helicópteros'', diz Mohammad Khamal Al Issaui, um agricultor de 20 anos.
'Querem ver cair outro helicóptero? Vocês verão'', afirma seu amigo, Abed Faleh, de 22 anos. Indagados como pensavam derrubar um helicóptero militar, os dois respondem brincando: ''Com a ajuda de Deus''.
''Queremos fazer de nosso país um cemitério para os americanos a fim de que eles partam. Se não conseguirmos derrubá-los do céu, combateremos em terra'', ameaça outro agricultor que pediu o anonimato.
''A resistência vai se acentuar à medida que as patrulhas americanas aumentarem'', promete Muhannad Abed, 22 anos.
''A Rússia foi vencida pelos afegãos, o Vietnã esmagou os americanos. Somos mais fortes do que os afegãos e os vietnamitas. Temos as armas e o treinamento'', proclama Jassem Hammadi.
Mas se os moradores de Albu-Issa não escondem sua alegria, evitaram manifestá-la domingo depois do ataque, diante da intensa mobilização militar na região.
''Queremos manifestar nossa alegria sobre os próprios restos do helicóptero'', comenta Ahmad Al Issaui, 27 anos, mas ele e seus amigos são mantidos à distância do local da queda por dez veículos militares americanos.
''Não sabemos quem foi o responsável pelo ataque'', declara Mutaab Al Hasnaui, sobrinho do xeque Khamis Al Hasnaui que se encarregou dos assuntos do povo após a detenção pelos americanos do chefe da tribo Albu-Issa, xeque Barakat Saadun Aifan, a 13 de outubro.

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