Iraquianos estão esgotados pelo embargo
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sábado, 15 de novembro de 1997
Maher Chmaytelli France Presse 
France PresseRação insuficienteIraquiano negocia alface no Mercado de Bagdá. Percentual de desnutrição entre menores de cinco anos é alarmanteO Iraque mantém um confronto com a ONU para tentar conseguir o levantamento do mais rigoroso embargo da história, que provoca a desnutrição e o aparecimento de enfermidades na população e esgota as últimas reservas do Estado.
Os dirigentes de Bagdá afirmam desde o começo da crise de desarmamento que o Iraque cumpriu suas obrigações para obter o fim do embargo petroleiro.
O embargo, imposto junto com outras sanções depois da invasão do Kuwait em agosto de 1990, priva o governo de 90% de seus recursos em divisas e o impedede satisfazer as necessidades de uma população que depende em grande parte dos subsídios do Estado para sobreviver.
O embargo de petróleo foi suavizado em dezembro do ano passado com a aplicação do acordo petróleo em troca de alimentos, que permite ao Iraque vender petróleo no total de 2 bilhões de dólares por semestre p+ara importar gêneros de primeira necessidade, sob controle da ONU.
Mas esse acordo está longe de atender às necessidades da população iraquiana.
Seis meses depois da aplicação desse acordo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) assinalou que o percentual de desnutrição crônica entre os menores de cinco anos era alarmante: 27,5 % contra 9,2 % em 1991, um ano depois da aplicação das sanções.
Além disso, o aspecto médico deste acordo está demorando para concretizar-se. Em outubro, a ONU indicou que o Iraque só havia recebido 22% dos medicamentos pedidos no primeiro semestre da palicação do acordo.
Depois de ironizar sobre as sanções durante a invasão do Kuwait, o Presidente Saddam Hussein teve de reduzir as rações de alimentos fornecidas à população pelo Estado.
As estatísticas oficiais iraquianas assinalam cerca de 800 mil iraquianos falecidos, entre os quais 320.451 menores de 5 anos, em consequência da degradação da situação econômica e sanitária do país.
De 1990 a 1996, a taxa de mortalidade infantil subiu de 61 por mil para 117 por mil, informa por sua parte Eric Falt, porta-voz das atividades humanitárias da ONU em Bagdá.
Com a falta de água potável, as agências da ONU constataram o reaparecimento do impaludismo e da febre tifo em locais em que estavam erradicados.
A prostituição aumentou e a mendicância apareceu, assim como o trabalho dos menores, que são obrigados a ajudar seus pais.
O embargo petroleiro só será levantado quando a Unscom certificar a eliminação das armas de destruição em massa iraquianas.


