Iraquianos e EUA trocam acusações
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terça-feira, 25 de novembro de 1997
AE-Reuters Bagdá 
O Iraque acusou ontem Washington de buscar um conflito ao exigir que inspetores de armas da Comissão Especial da ONU (Unscom) tenham acesso aos palácios do presidente Saddam Hussein.
A ONU deve ir às áreas relevantes ou às fábricas, afirmou o embaixador iraquiano na Malásia, Mohammed Rifat al-Ani. Os inspetores não têm nenhum mandato para ir às áreas presidenciais - só querem fazer isso para provocar as autoridades. Para Al-Ani, os EUA, que têm dois porta-aviões no Golfo, estão buscando um pretexto para uma agressão.
No domingo, o chefe do Pentágono, William Cohen, declarara que Saddam decidiu proibir o acesso a 63 instalações estratégicas ou presidenciais - nas quais poderiam estar sendo escondidos componentes de armas químicas ou biológicas.
Um porta-voz do Ministério da Informação do Iraque, porém, disse que os inspetores só foram barrados em três palácios presidenciais, que simbolizam a soberania nacional, e qualificou a afirmação de Cohen de embuste.
Os 75 inspetores da Unscom voltaram ao Iraque na sexta-feira, depois que o regime de Saddam aceitou uma proposta russa para receber de volta os americanos que expulsara no início do mês. Em troca, a Rússia prometeu trabalhar pelo fim do embargo econômico imposto pela ONU em 1990 (após a invasão iraquiana do Kuwait).
A principal condição do Conselho de Segurança para o fim do embargo é o desmantelamento dos arsenais iraquianos de destruição em massa, mas os EUA têm indicado que se oporão ao levantamento das sanções enquanto Saddam permanecer no poder.
Ontem, pelo terceiro dia seguido, as equipes da Unscom trabalharam sem nenhuma obstrução. Enquanto um avião espião americano U-2 a serviço da comissão voltava a sobrevoar o Iraque sem ser atacado, os inspetores vistoriaram pelo menos 16 instalações para checar o funcionamento de câmeras de vigilância da ONU.
O embaixador Al-Ani disse que a Unscom vistoriou 700 instalações nos últimos seis meses e não descobriu nenhuma arma. Por isso, o Conselho de Segurança deveria cumprir suas obrigações quanto ao Iraque e levantar o embargo, acrescentou. Segundo ele, 7 mil iraquianos, na maioria crianças, morreram em outubro por causa dos efeitos das sanções econômicas. Isso é injusto e inaceitável e pedimos que a comunidade internacional eleve a voz contra a atitude hostil dos EUA.


