Iraquianos continuam desconfiados
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sexta-feira, 15 de novembro de 2002
Kamal Taha<br>France Presse 
Bagdá Os iraquianos consideram que, ao aceitar a resolução da ONU, seus dirigentes conseguiram desarticular momentaneamente a crise, mas continuam desconfiando das intenções dos Estados Unidos em relação a seu país.
''A direção iraquiana fez o que devia fazer depois que os Estados Unidos conseguiram impor seus pontos de vista aos amigos do Iraque no Conselho de Segurança da ONU'', declarou Sabá Wahid, um funcionário público de 45 anos.
Como muitos iraquianos, Wahid faz sua a tese da imprensa local, segundo a qual o objetivo dos Estados Unidos é se apoderar do petróleo do Iraque e estender seu poderio à toda a região.
''O presidente Saddam Hussein saiu na frente dos Estados Unidos e adotou a decisão correta'', opinou Bochra Abdel Sattar, dona de casa de 41 anos, ao mesmo tempo que critica a resolução e as sanções internacionais que pesam contra o Iraque.
''O Iraque se encontrava entre a espada e a parede e não tinha alternativa'', admitiu um iraquiano que pediu para não ser identificado. ''Estou feliz porque os tambores da guerra pararam de tocar por ora, mas estou preocupado que voltem a fazê-lo a qualquer momento'', concluiu, resignado.
De um modo geral, os iraquianos acordaram ontem um pouco mais aliviados, mas conscientes de que qualquer atrito entre as autoridades e os especialistas da ONU pode trazer de novo o fantasma da guerra.


