Abu Ghraib - Centenas de iraquianos começaram ontem a acampar em frente à prisão de Abu Ghraib para exigir a libertação dos prisioneiros, uma reivindicação urgente sobretudo porque a revelação das torturas infligidas aos presos alarma seus familiares.
''Onde estão meus filhos?'', pergunta em árabe e em inglês um cartaz com as fotos de três jovens segurado por uma mulher coberta com um véu em frente ao presídio, tristemente famoso, situado no oeste de Bagdá. ''Estamos quase certos de que quando nossos filhos saírem, terão sequelas de algum tipo'', declara seu marido, Abderrahman Abderrazak Hassan.
Três de seus filhos, Baker, Ahmad e Abderrazak, foram detidos em fevereiro em sua casa em Bagdá, explica.''Não sou partidário de Saddam Hussein, faço parte dos islamitas'', diz este ex-oficial do exército. ''Teríamos vindo inclusive se nossos filhos não estivessem presos'', acrescenta sua esposa, Mariam Fadel al-Obeidi, assinalando que respondem a uma convocação do Partido Islâmico (sunita).
''O objetivo da reunião é aumentar a pressão pacífica sobre os americanos para usarem a mídia visando que sejam libertados todos os prisioneiros, depois das violações dos direitos humanos, das quais tivemos conhecimento'', explica um dos organizadores, Surur al-Hitaui. ''Ficaremos três dias e estamos aqui para compartilhar o sofrimento dos prisioneiros, que são nossos irmãos'', diz Hitaui, um dirigente do Partido Islâmico, representado no conselho de governo transitório iraquiano.
Os organizadores pretendem reunir mil participantes antes do fim do movimento.''Depois temos a intenção de negociar'', diz Hitaui. ''Reivindicamos a libertação dos prisioneiros'', ''Não há liberdade com a ocupação'', lê-se nos cartazes, em árabe e inglês, colocados em vinte barraca. ''Oh ocupante, o Iraque não deve ser humilhado!'', gritam os manifestantes, muitos deles vestidos com a roupa tradicional dos beduínos.

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