Iraque tenta aproximação com a ONU
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terça-feira, 03 de setembro de 2002
Agência EFE 
JohanesburgoO vice-presidente do Iraque, Tarik Aziz, depois de se reunir ontem pela manhã com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em uma tentativa de evitar um iminente ataque dos Estados Unidos contra seu país, disse que embora haja ''uma crise em desenvolvimento'' existem possibilidades de solucionar o conflito. ''Nesta reunião'', declarou Aziz aos jornalistas, ''trocamos idéias. Expus a Annan nossos legítimos temores sobre a situação e concordamos em nos manter em contato''.
O secretário-geral da ONU disse que ''neste momento não posso dizer se tomaram (Iraque) a decisão de admitir os inspetores, quero dizer com isso que existem questões a respeito''. ''(Aziz) me falou que dado o ocorrido no passado com os inspetores e com as mesmas inspeções, querem ter a segurança de que desta vez as coisas serão diferentes, além do fato de que existe latente a ameaça de uma ação militar e não sabe até que ponto a admissão dos inspetores mudaria a situação'', acrescentou Annan.
Durante sua intervenção, segunda-feira no plenário da Cúpula Mundial sobre um Desenvolvimento Sustentado (CMDS), em Johanesburgo, Aziz disse que ''os Estados Unidos ameaçam com outro ataque em grande escala, que traria grande devastação no país e outra catástrofe ambiental como a que vivemos em 1990''.
Reação no GolfoOs países árabes do Golfo Pérsico, pró-ocidentais e fornecedores mundiais de petróleo, condicionaram o futuro de suas relações com os EUA a um desfecho pacífico da crise com o Iraque e a uma solução justa do problema palestino.
A advertência foi feita na conferência que os ministros do Exterior do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) realizam na cidade saudita de Jedá, na mais clara rejeição das seis monarquias da região à atual política norte-americana.
''Nestas circunstâncias, as esperanças de cooperação com nossos amigos tradicionais (EUA) já não são as de antes'', disse o chanceler de Omã país que assume a Presidência rotativa do CCG , Yussef Ben Alawi Abdala, ao término, do primeiro dia do encontro. Omã e os demais países do CCG Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Catar eram até agora firmes aliados dos EUA, que, no entanto, ''tentam promover a crise só para conseguir seus objetivos políticos e estratégicos'', segundo Abdala.
Embora o chanceler de Omã não tenha mencionado quais são estes ''objetivos'', fontes do CCG disseram à EFE que ele se referia à tentativa dos EUA de impor Israel como ''potência regional hegemônica'' no Oriente Médio e conseguir o controle sobre toda a área petrolífera do Golfo Pérsico através de uma campanha militar contra o regime de Bagdá.
Na opinião de Abdala, qualquer ação contra o Iraque aumentará, também ''os sentimentos de ódio e hostilidade dos árabes e muçulmanos contra os EUA''.
PetróleoO preço do petróleo retrocedeu claramente ontem porque o mercado espera que a reunião entre os vice-primeiro-ministro iraquiano, Tarek Aziz, e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, permita reduzir as tensões com Bagdá. Às 13 horas de Brasília, o barril de Brent para entrega em outubro, referência no International Petroleum Exchange (IPE) de Londres, era cotado a 26,81 dólares, depois de ter aberto a 27,10 e fechado segunda-feira a 27,54.


