Iraque tem prazo para destruir mísseis
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sábado, 01 de março de 2003
France Presse 
Nova York - O chefe dos inspetores em desarmamento da ONU, Hans Blix, deu até primeiro de março ao Iraque para começar a destruir os mísseis proibidos Al Samud 2, enquanto o Pentágono anunciava que já tem 210 mil homens na região do Golfo, preparados para a guerra.
''Blix entregou ao embaixador iraquiano na ONU, Mohammed al Duri, uma carta sobre a destruição dos mísseis Al Samud 2 e os equipamentos associados'', disse o porta-voz do chefe dos inspetores, Ewen Buchanan. Uma cópia da carta foi enviada ao Conselho de Segurança, acrescentou.
Em Washington, o Pentágono anunciou que está disposto a começar a guerra contra o Iraque sob ordens do presidente George W. Bush. Cerca de 98 mil homens se encontram no Kuwait, informou uma autoridade do Pentágono. Entretanto, as autoridades americanas negociam o envio em massa de tropas e a utilização de suas bases na Turquia para uma operação rápida pelo Norte do Iraque.
''Realizamos vários progressos nas negociações que fizemos até agora com os Estados Unidos. Nos encontramos bastante perto de um acordo'', afirmou o ministro turco das Relações Exteriores, Yasar Yakis. Em troca de sua colaboração militar, a Turquia pede apoio econômico a Washington.
No campo diplomático, os Estados Unidos vão apresentar nos próximos dias nas Nações Unidas um projeto de resolução sobre o Iraque, confirmou na sexta-feira a Casa Branca. O Conselho de Segurança pode se pronunciar sobre este projeto no começo de março, depois de um novo encontro com os chefes dos inspetores em desarmamento da ONU, segundo diplomatas.
O texto apresentado afirma que o ''Iraque não respeitou a resolução 1441'', que o obriga a se desarmar, mas, segundo o secretário de estado americano, Colin Powell, não terá novo prazo para fazer isso.
A questão iraquiana será o tema predominante dos encontros de Colin Powell em sua viagem pela Ásia, principalmente na China, membro permanente do Conselho de Segurança, com direito a veto.
O Iraque está disposto a dialogar com os Estados Unidos desde que abandonem seu projeto militar contra seu regime e se ''não houver ingerência em seus assuntos internos'', afirmou o vice-presidente iraquiano Taha Yassin Ramadan.
Uma cúpula árabe prevista para o dia 1º de março no Cairo vai convocar o Iraque a aplicar totalmente as resoluções da ONU para evitar a guerra, declarou o conselheiro político do presidente egípico Hosni Mubarak, Ussama al Baz, citado por um jornal do governo.
O secretário de Estado americano Colin Powell chegou ontem a Tóquio para se reunir com o primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi e com o ministro das Relações Exteriores Yoriko Kawaguchi, com quem vai discutir a estratégia de seu país em relação à Coréia do Norte e ao Iraque.
Cúpula - O presidente cubano Fidel Castro e dirigentes vietnamitas condenaram ontem a guerra americana no Iraque para forçá-lo a se desarmar, disse uma autoridade vietnamita do ministério das relações exteriores. Fidel Castro foi recebido ontem em Hanói, antes de se reunir com os dirigentes vietnamitas. Ele chegou sexta-feira ao Vietnã, um dos últimos aliados comunistas de Cuba, em sua terceira visita oficial ao país desde 1995. Fidel teve também um encontro com o ex-herói da guerra da independência contra a França, general Vo Nguyen Giap, a quem não via desde 1995. Fidel participará amanhã e terça-feira da cúpula dos Não-Alinhados em Kuala Lumpur.


