Iraque sepulta vítimas do embargo
Os funerais coletivos de cinquenta crianças iraquianas, mortas por causa do embargo imposto ao país há oito anos, foram realizados ontem em Bagdá.
O cortejo fúnebre partiu da Praça dos Mártires, no centro da cidade, e parou diante do hotel Rachid, onde se hospedam as delegações comerciais estrangeiras que participam na Feira Internacional de Bagdá.
Os ataúdes eram transportados em cima de automóveis, com a foto, o nome e a idade do menor. Morreram por causa do embargo, lia-se em um letreiro exibido por uma família que chorava. Os Estados Unidos matam crianças, dizia outro.
Os funerais foram organizados nos momentos em que um novo desacordo põe outra vez em confronto o Iraque com o Conselho de Segurança da ONU, depois que Bagdá rompeu sua cooperação com os inspetores de desarmamento da ONU, acusados de querer prolongar o embargo.
Prontidão O presidente do Parlamento iraquiano, Saadun Hammadi, afirmou ontem que seu país estava disposto a qualquer eventualidade quando decidiu suspender sua cooperação com os especialistas em desarmamento da Onu.
Londres e Washington preveniram ontem que todas as opções estavam abertas depois desta decisão inaceitável do Iraque.
O Iraque está disposto a qualquer eventualidade, disse à imprensa Hammadi.
Sabemos que os Estados Unidos alimentam intenções hostis (em relação ao Iraque), mas isto não tem impedido o Iraque de defender seus interesses vitais, continuou.
O Iraque anunciou sábado a ruptura de toda forma de cooperação com a Comissão Especial da Onu encarregada do desarmamento (Unscom). Também informou que manteria o estado de ruptura com a Unscom inclusise ao preço de represálias militares.
Por outro lado, o presidente do Conselho Nacional (Parlamento iraquiano) pediu ao secretário geral da ONU, Kofi Annan, e ao Conselho de Segurança da ONU que assumam suas responsabilidades para encontrar o caminho adequado que leve à suspensão do embargo imposto ao Iraque.Mulheres iraquianas acompanham, aos prantos, o sepultamento de 50 crianças vítimas do embargo, em BagdáFrance Presse





