Iraque rejeita o reinício das inspeções
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quarta-feira, 23 de dezembro de 1998
France Presse e DPA 
A imprensa iraquiana afirmou ontem que a comissão especial encarregada do desarmamento (Unscom) jamais voltará a ser autorizada a entrar novamente no Iraque e exigiu da ONU a fixação de uma data para o levantamento do embargo. Os bandidos agressores devem saber que seus espiões, conduzidos pelo cão raivoso (Richard) Bubler, nunca mais serão autorizados a pisar em solo iraquiano, escreveu o diário de língua inglesa Baghdad Observer, adiantando que os inspetores da Unscom só sabem realizar atividades de espionagem. Que ninguém pense que o Iraque autorizará o retorno da Unscom para que dê informações a norte-americanos e britânicos sobre os danos causados às instalações iraquianas, a fim de que os inimigos possam bombardear de novo, assegurou.
Por sua vez, o jornal Babel, dirigido por Udai, filho do presidente Saddam Hussein, afirmou que a ONU será a principal vítima da agressão ao Iraque se a comunidade internacional não assumir suas responsabilidades ante as orientações perigosas dos anglo-saxões. A verdade é que os mísseis norte-americanos e britânicos e as incursões aéreas só afetaram de fato a Unscom e suas atividades, que morreram e estão enterradas, acrescentou o jornal.
EUA insistem Os Estados Unidos não estão dispostos a ceder e estão pressionando o Conselho de Segurança da ONU a endurecer as sanções contra o Iraque, caso o país continue a proibir as inspeções de armas. Segundo o jornal Washington Post, a posição dos Estados Unidos vem encontrando uma forte resistência por parte da Rússia, França e China que são a favor do levantamento das sanções contra o Iraque. Além disso, esses três países, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, defendem a reestruturação ou até a dissolução da comissão de desarmamento das Nações Unidas.
Por outro lado, o Conselho de Segurança das Nações Unidas prosseguiu ontem o debate iniciado na véspera sobre a crise iraquiana, depois do final dos maciços bombardeios anglo-americanos contra o Iraque. Não se espera para este ano uma decisão do Conselho sobre sua futura política em relação ao Iraque devido às profundas divergências dos países membros do mais alto órgão da ONU.
Novo ataque Aviões inimigos dispararam ontem dois mísseis ar-terra no Sul do Iraque e depois se retiraram, anunciou um porta-voz militar iraquiana.
Citado pela agência de notícias oficial INA, o porta-voz informou que aviões inimigos violaram duas vezes o espaço aéreo iraquiano, às 9h15 e às 14h17 locais, disparando depois dois mísseis ar-terra.


