Bagdá - Pelo menos 114 pessoas morreram e outras 129 ficaram feridas num atentado suicida com carro-bomba executado ontem em Hilla (100 km ao sul de Bagdá), o mais mortífero deste ano e um dos piores desde o início da invasão do Iraque.
O balanço anterior era de 110 vítimas fatais e 133 feridos, mas quatro pessoas não resistiram aos ferimentos, informou o médico Mohamed Dia, diretor do hospital de Hilla.
O atentado foi executado por um suicida por volta das 9h30 locais (3h30 de Brasília), segundo um bombeiro que participou nas tarefas de socorro. ''Encontramos as mãos do suicida atadas ao volante de seu carro-bomba e um exemplar do Corão queimado nos restos do veículo'', declarou o bombeiro Ammar Al-Ani.
Várias horas depois do atentado, o mais sangrento em um ano no Iraque, tropas de segurança foram enviadas à cidade de maioria xiita. A polícia informou que o balanço tão elevado se deve ao fato de que muitos funcionários públicos faziam fila na rua para exames médicos, ao mesmo tempo que dezenas de ambulantes trabalhavam no local, num bairro muito movimentado de Hilla, cidade de maioria xiita.
O governador da província de Babilônia, Walid Janabi, afirmou que o atentado foi ''um ato covarde contra cidadãos que escolheram viver honestamente e não se deixam tentar pelo terrorismo e a criminalidade''. O vice-governador, Ali Hassun, falou de ''crime mais odioso cometido na cidade'' e lamentou que a ação tivesse como alvo ''civis inocentes em busca de um emprego e de pequenos comerciantes que tentam sobreviver''.
O diretor da polícia técnica, Thamer Sultan, afirmou que com base nos primeiros elementos da investigação o automóvel utilizado no ataque estava repleto de dezenas de quilos de TNT e de muitos obuses de morteiro, para ''obter a máxima quantidade de vítimas''. Sultan explicou que três morteiros que não explodiram foram encontrados entre os escombros.
Um dos meio-irmãos do deposto presidente Saddam Hussein, suspeito de financiar a rebelião, foi capturado na fronteira com a Síria, segundo dirigentes iraquianos. Sabaui Ibrahim al-Hassan era o chefe todo-poderoso da espionagem iraquiana. Hassan é o número 36 na lista das 55 pessoas do antigo regime iraquiano mais procuradas pelos Estados Unidos.
No âmbito político, o chefe da principal formação sunita do país, o Partido Islâmico, Mohsen Abdel Hamid, anunciou seu apoio à candidatura do curdo Jalal Talabani à presidência. A aliança curda, que obteve 75 das 275 cadeiras do Parlamento nas eleições de 30 de janeiro, seguia negociando com a xiita Aliança Unificada Iraquiana, que conta com 140 cadeiras, para formar o novo governo.

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