Iraque recua e aceita inspeção da ONU
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sexta-feira, 21 de novembro de 1997
AE-Reuters Bagdá 
France PresseEUAO presidente Bill Clinton ainda quer esperar para verNuma vitória para a diplomacia russa, o Iraque concordou ontem em permitir a volta de todos os inspetores de armas da Comissão Especial da ONU (Unscom), incluindo os seis americanos expulsos na semana passada. O acordo acertado em Moscou pelo vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, e pelo chanceler russo, Yevgueni Primakov, foi aprovado ontem num encontro da liderança iraquiana presidido por Saddam Hussein e pelos parceiros da Rússia no Conselho de Segurança da ONU.
A Unscom, que retirara todos seus inspetores do Iraque após a expulsão dos americanos, informou que eles retornarão hoje e recomeçarão seu trabalho imediatamente. Pelo menos por enquanto, não haverá nenhuma mudança na composição da Unscom.
Tanto as grandes potências - cujos chanceleres se reuniram de madrugada em Genebra para aprovar o plano russo - como o próprio Aziz garantiram que o acordo não prevê nenhuma concessão por parte do Conselho de Segurança. O Iraque teria recuado em troca da promessa russa de buscar o fim do embargo econômico imposto a Bagdá após a invasão iraquiana do Kuwait, em 1990 - e diante da demonstração de força dos EUA, que mandaram o porta-aviões George Washington unir-se ao Nimitz no Golfo.
France PresseRússiaPrimakov costurou o acordo: Sem demonstração de força
Consideramos esse plano uma boa oportunidade para evitar um confronto, disse Aziz no Cairo. Não buscamos uma crise, mas uma solução, e o plano abre a porta para uma solução política. Ele negou que haja um acordo secreto com Moscou.
A França saudou a iniciativa diplomática russa e elevou a pressão sobre os EUA para que sejam fixadas condições claras para o fim do embargo. Nossa idéia é que agora se diga claramente sob que condições os iraquianos poderão sair definitivamente do túnel, disse o chanceler Hubert Vedrine. O presidente francês, Jacques Chirac, escreveu uma carta de congratulações ao seu colega russo, Boris Yeltsin. O envolvimento russo é um movimento rumo à paz e ao equilíbrio numa região constantemente ameaçada pela crise, disse Chirac, escrevendo no fim: Um bravo para Primakov!
O chanceler russo, que foi correspondente do jornal Pravda no Oriente Médio, fala árabe e conhece Saddam desde 1969, não escondeu sua satisfação. Eis o que a Rússia alcançou sem usar a violência, sem usar as armas e sem fazer uma demonstração de força, disse ele de madrugada em Genebra, antes de embarcar para Brasília - onde iniciou hoje uma visita oficial ao Brasil.
Os EUA avisaram, entretanto, que não estão presos a nenhum acordo que a Rússia possa ter feito com o Iraque e vetarão, no Conselho de Segurança, qualquer tentativa precipitada de acabar com o embargo. Nos próximos dias, vamos esperar para ver se Saddam cumprirá mesmo a vontade da comunidade internacional, disse o presidente Bill Clinton.


