BagdáO presidente iraquiano Saddam Hussein reafirmou ontem que seu país desejava um ''acordo global'' dos conflitos no âmbito da ONU, para conseguir a suspensão das sanções que afetam Bagdá. ''Desejamos chegar a um acordo global que possa levar à suspensão do embargo, em função das resoluções do Conselho de Segurança da ONU'', disse o presidente iraquiano, cujo país se acha sob a ameaça de um ataque norte-americano.
''O que se aplica ao Iraque (resoluções) também deve se aplicar a ela (ONU). O Iraque honrou suas obrigações enquanto ela não honrou as suas'', disse Saddam Hussein, citado pela agência oficial INA.
O presidente iraquiano formulou estas declarações ao receber em Bagdá o presidente do parlamento do Iêmen, Abdalá Al Ahmar.
Bagdá afirma ter ''cumprido com todos os seus compromissos'' em relação à ONU, por exemplo quanto ao desarmamento, e insiste em uma suspensão das sanções que sofre desde a invasão ao Kuwait pelas tropas iraquianas em agosto de 1990.
O Iraque afirma ter destruído seu arsenal de armas de destruição em massa, mas a ONU não pode suspender as sanções sem comprovar isto.
AmeaçaO presidente iraquiano, Saddam Hussein, insistiu que seu país ''terá a vitória final na 'mãe de todas as batalhas''', em um novo desafio às ameaças dos Estados Unidos de atacar o Iraque. ''Obtivemos a vitória no passado e a teremos no final na 'Mãe de todas as batalhas''', disse o presidente iraquiano em uma mensagem à nação, difundida ontem pelos meios de comunicação locais.
Saddam Hussein se referia à guerra Irã-Iraque (1980-88), na qual mais de um milhão de pessoas morreram dos dois lados. Ele também se referia à Guerra do Golfo, de 1991, que Bagdá denomina como ''Mãe de todas as batalhas'', na qual uma coalizão multinacional, liderada pelos EUA, pôs fim à ocupação iraquiana do Kuwait, que durou desde agosto de 1990 a fevereiro do ano seguinte.
Segundo os iraquianos, essa guerra ainda não terminou, devido aos caça-bombardeiros dos EUA e do Reino Unido continuarem suas atividades nas zonas de ''exclusão aérea'' impostas por esses dois países no norte e no sul do Iraque desde o começo da década de noventa.
O presidente norte-americano, George W. Bush, e vários de seus principais colaboradores se mostraram decididos a atacar o Iraque para derrocar o regime de Saddam Hussein, ao qual acusam de desenvolver armas de destruição em massa e de formar um ''eixo do mal'', junto com Irã e Coréia do Norte.
Apoio árabeSaddam Hussein afirmou ontem que seu país ''lutará de tal maneira que honrará os árabes'' se finalmente os Estados Unidos decidirem lançar seu ataque contra o Iraque. ''Todos os iraquianos esperam que a misericórdia de Alá mantenha o diabo longe, para que a batalha fique longe'', disse Hussein na sessão de encerramento da reunião extraordinária da União Interparlamentária Árabe (UIA). ''Mas se somos obrigados a fazê-lo, o faremos... de tal modo que honraremos os árabes, e infligiremos ao inimigo uma derrota inesquecível'', afirmou Saddam. Acrescentou que Alá ''considera a guerra algo odioso, mas os árabes não duvidarão em lutar em defesa de seu gloriosos dever''.
A UIA concluiu em Bagdá uma reunião convocada para apoiar o Iraque.

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